Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 12/05/2021

O termo e movimento “Novembro Azul” surgiu pela primeira vez na Austrália, em 2003, apresentando o objetivo de alertar a sociedade para a prevenção e diagnóstico precoce de enfermidades que acometem a população masculina, principalmente o câncer de próstata. Depois de adquirir grande sucesso, os demais países do globo também se engajaram na ação de saúde, inclusive o Brasil. Entretanto, desafios ainda se fazem presentes nas plagas brasileiras e prejudicam a conscientização das comunidades, como a masculinidade frágil e a falta de conhecimento sobre os procedimentos preventivos.

A priori, deve-se entender que, por uma questão cultural, vários homens se recusam a sair do papel de ser inabalável e negligenciam a própria saúde em nome do status de pessoa infalível. Desse modo, essa sensação de perda da masculinidade acaba sendo o principal desafio a ser combatido quando se aborda os temas câncer de próstata e toque retal, método mais preciso para a identificação de nódulos suspeitos. De acordo com a AMB, Associação Médica Brasileira, cerca de 20% dos casos dessa doença específica não conseguem ser diagnosticados através do exame sanguíneo, sendo essa a necessidade de um exame mais preciso. Entretanto, o tabu que rodeia essa forma de detecção da enfermidade é tão presente que uma grande parte da população masculina se recusa a realizar o procedimento e, de maneira drástica, acaba descobrindo o problema em estágio avançado e até irreversível.

Ademais, outro desafio para a conscientização da importância da saúde masculina é a falta de conhecimento sobre todos os fatores que geram as doenças e sobre os tratamentos adequados. Desse modo, a desinformação se torna uma aliada do tabu e incentiva o gênero masculino a estar na comodidade, tornando esse grupo mais propenso ao estado de óbito. De acordo com a OMS, Organização Mundial da Saúde, indivíduos considerados do público feminino vivem pelo menos seis anos mais do que os homens e esses números estão diretamente ligados à saúde. Nesse viés, fica claro por qual motivo os trinta dias do mês de novembro são preenchidos por campanhas governamentais de esclarecimento e prevenção sobre o câncer de próstata e outros problemas que atingem os homens, como, por exemplo, o câncer de testículo.

Em suma, os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina são: a masculinidade culturalmente frágil e a falta de informação necessária. Dessa forma, é dever do Ministério da Saúde, aliado ao Ministério da Educação, ampliar esse tema de maneira abrangente, clara e sem tabus, por meios de aulas de saúde nos currículos escolares e campanhas que trabalhem a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde Homem, objetivando que toda a população adquira o conhecimento necessário para que o número de casos caia e o preconceito seja combatido, assim todo dia seria azul.