Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 09/05/2021
De acordo com o filósofo francês Foucault, o homem é uma construção biopsicossocial, ou seja, esses fatores devem estar em harmonia para que ele seja um ser saudável. Tal concepção fica clara ao se analisar a situação masculina no Brasil, em que seu contexto sociocultural interfere na saúde física e psicológica desses sujeitos. Dessa maneira, é importante analisar como a construção da sociedade e a negligência social tornaram-se desafios para a conscientização quanto à saúde desse grupo.
A priori, é válido ressaltar que um dos principais desafios para conscientização social quanto à saúde masculina é a formação sociocultural da população. Tal perspectiva baseia-se na teoria da especialista Jane Felipe, a qual afirma que a sociedade é marcada pela criação de “scripts”, ou seja, ideias preconcebidas do que se espera de um homem e de uma mulher antes de nascerem. A partir dessa convicção, percebe-se que a construção do brasileiro é marcada por uma ideologia machista, em que esse grupo, desde a infância, é exposto a comportamentos retrógados que prejudicam o bem-estar desses indivíduos, como a negligência do cuidado com o própio corpo. Nesse sentido, cria-se uma concepção coletiva que associa o zelo com a saúde à fragilidade, então, uma atitude que deveria ser somente feminina. Desse modo, forma-se preconceitos que dificultam esses sujeitos buscarem auxílio médico para prevenirem doenças, como o câncer de próstata, e, assim, garantirem uma vida saudável.
Ademais, é necessário destacar que a negligância social representa outro desafio para a conscientização quanto à saúde masculina. Tal concepção está relacionada à teoria do “Habitus”, do sociólogo Pierre Bourdieu, o qual afirma que os indivíduos são formados de acordo com os costumes e as ideias do ambiente em que vivem. À vista disso, nota-se que a atual cojuntura nacional, marcada por “scripts” machistas e preconceituosos, dificulta não só uma maior liberdade do homem na busca pelo seu bem-estar, mas também prejudica a realização de projetos e debates sobre doenças e precauções que devem ser adotadas por esse grupo, como a prevenção quanto ao câncer de próstata. Com base nesse pensamento retrógado, diversas instituições, como as escolas e a mídia, evitam transmitir informações essenciais para a conscientização desses sujeitos quanto ao cuidado médico.
Logo, para conscientizar quanto à saúde masculina, o Estado, órgão responsável por formar os cidadãos, deve instruir a população, por meio de campanhas nas mídias digitais, como a televisão, que informem sobre a importância do auxílio médico e da prevenção, além da disponibilização gratuita de consultas em áreas periféricas, a fim de construir uma sociedade mais responsável. Ademais, a escola precisa cobater os “scripts” sociais mediante palestras com especialistas que mostrem a cultura preconceituosa atual e os seus prejuízos, para que essas ideias sejam superadas.