Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 11/05/2021

No livro “A Culpa é Das Estrelas” o personagem Augustus Waters tem mais de um tipo de câncer, mas se recusa a buscar ajuda para não admitir que estava debilitado. Apesar de ficcional, a obra é verossímil a realidade de muitos homens, que se recusam a buscar qualquer assistência médica por temer que esse ato os emasculará. Sob esse viés, torna-se válido entender como a cultura da ultra masculinidade pode prejudicar o autocuidado, bem como a forma que questões histórico-culturais influenciam na negligencia da saúde.

Observa-se, de início, que os preceitos criados para definir um homem, muitas vezes são prejudiciais aos indivíduos. De acordo com Octavio Salazar, professor de Direito Constitucional na Universidade de Córdoba, a masculinidade tóxica afeta a vida de maior parte dos homens, tornando-os mais suscetíveis a doenças físicas e mentais. Afinal, essa cultura é baseada numa imagem de um homem inabalável, que sempre está em controle da situação, e não precisa de cuidados. Assim, um padrão inatingível é imposto, criando uma insegurança constante em todos que tentam o seguir, além de tornar aqueles que não concordam em alvos de vexame.

Cabe analisar, ainda, que por se tratar de um princípio antigo, a necessidade masculina de estar sempre bem, raramente é questionada. Segundo Geraldo Faria, urologista e coordenador da campanha Novembro Azul da Sociedade Brasileira de Urologia, por causa de ações que promovem o autocuidado masculino de maneira positiva, esse padrão está mudando. Todavia, esse processo ainda é lento, especialmente para pessoas mais velhas que foram ainda mais influenciadas pelas antigas referencias de masculinidade. Dessa forma, esforços como o Novembro Azul se mostram ainda necessários para estabelecer novos costumes mais saudáveis para esses homens.

Portanto, para reduzir os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina, mudanças devem ser realizadas. Cabe ao Ministério da Saúde, órgão responsável pelo bem estar da população, ajudar a mudar o preceito que homens que se cuidam são de alguma forma inferiores. Isso deve ocorrer por meio da extensão em outros momentos do ano de campanhas como o Novembro Azul, promovendo espaços para consultas gratuitas focadas no equilíbrio físico e mental do sexo masculino. Para assim, diferente de Augustus mais indivíduos se cuidem sem se preocupar que isso afetará a própria masculinidade.