Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 11/05/2021
“E agora, José?”: a literatura do autor mineiro Carlos Drummond, traz com peculiaridade a intervenção imediata dos problemas sociais no Brasil. Fora do tablado literário, a necessidade de intervenção dos problemas que contornam a conscientização social quanto à saúde masculina, faz analogia à obra de Drummond, haja vista a emergência de alternativas para superar os desafios impostos pela sociedade patriarcal brasileira negligente. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão dos estigmas impostos pelo legado machista sob o modelo hegemônico de masculinidade, como também tem a questão constitucional como impulsionadora da problemática.
A princípio, é evidente que nos últimos anos a conscientização da população masculina tem sido mais debatida, no entanto, ainda é perturbador o número de homens que não procuram os serviços de saúde para prevenção de doenças. Segundo o conceito de “Banalização do Mal”, da intelectual Hannah Arendt, faz-se presente no contexto dos desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina no Brasil, haja vista a compreensão preconceituosa e negligente de modo corriqueiro na sociedade brasileira. Essa dinâmica coletiva de agir e pensar, dotada de exterioridade, coercitividade e generalidade induz e controla o pensamento social, culminando na disseminação de estigmas impostos majoritariamente pela mentalidade machista, sob um modelo hegemônico de masculinidade. De modo que, a desinformação é um desafio para a conscientização e prevenção de doenças.
Ademais, pode-se estabelecer um paralelo com a questão constitucional como agravante da situação. A Constituição brasileira de 1988 assegura a todos os indivíduos o direito à saúde como dever do Estado, na garantia de políticas sociais e econômicas que visem à redução de risco de doenças. No entanto, na prática, tal garantia é deturpada, visto os impasses para a conscientização social quanto à saúde masculina. Tal realidade é comprovada, segundo dados do Nacional de Câncer (Inca), foram diagnosticados mais de 60 mil casos recentes de câncer de próstata. Desse modo, a postura estatal negligente frente a esse problema não pode ser aceita, pois é inegável que a falta de informação,debate e políticas que viabilizem maior facilidade o cuidado à saúde masculina, corrobora para a permanência dessa realidade.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para a solidificação de políticas que visem mudar essa realidade. Nesse viés, cabe ao Estado,por meio do Ministério da Saúde, conscientizar e orientar a população, por intermédio da ampliação de campanhas publicitárias em meios de abrangência nacional, como redes sociais, jornais e rádios. Além disso, o Governo deve ampliar a rede de atendimento e facilitar consultas periódicas, a fim de fornecer meios de conscientização e prevenção aos cidadãos.