Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 10/05/2021

Apesar da Constituição Federal Brasileira prescrever que a saúde é direito de todos e dever do Estado, muitos são os obstáculos encontrados para conscientizar a sociedade quanto à saúde masculina. Nesse sentido, o estigma relacionado à masculinidade com a falta do autocuidado, bem como a maior exposição dos homens a ambientes insalubres têm sido grandes desafios para reverter tal problema.

De início, deve-se ressaltar que o “novembro azul” é uma campanha voltada não apenas à prevenção do câncer de próstata, mas também à conscientização social sobre os cuidados com a saúde masculina, incluindo a mental, conforme afirma o Ministério da Saúde. Tal ação governamental é consequência do forte preconceito existente entre os homens em face do autocuidado e a falsa relação deste com a ausência de virilidade. Nesse ínterim, a resistência masculina para realizar ações preventivas de saúde torna-se o impasse à qualidade de vida destas pessoas.

Outrossim, importa enfatizar que, segundo a Organização Mundial de Saúde, as mulheres tendem a viver pelo menos seis anos a mais que os homens, devido justamente às condições de saúde. Sob essa perspectiva, a errônea percepção de que os homens possui maior resistência biológica acarreta em uma maior exposição desses indivíduos a ambientes insalubres durante o labor, muitas vezes sem equipamentos de proteção adequados. Por conseguinte, tais causas afetam diretamente a higidez masculina, sendo urgente uma intervenção estatal para reverter essa situação.

Portanto, infere-se que medidas devem ser tomadas para atenuação da falta de consciência social sobre a saúde masculina. Assim, o Estado, agente garantidor dos direitos constitucionais, deve informar aos cidadãos, através de ações midiáticas e de instituições de ensino, a importância de realizar exames preventivos, dando ênfase no público vulnerável. Ademais, é fundamental que o poder executivo, por meio do Ministério do Trabalho, fiscalize rigidamente as leis trabalhistas, garantindo que as empresas forneçam proteção adequada para os seus obreiros, bem como incentive-os a fazerem consultas médicas periódicas. Apenas dessa forma poderá se cumprir o que está disposto na Magna Carta.