Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 11/05/2021
“A vida inteira que podia ter sido e que não foi”, nesse trecho do poema ‘Pneumatórax’, o escritor Manoel Bandeira expressa, por meio dele, que não conseguiu ter a vida que desejou, pois foi afetado pela tuberculose e, por isso, viveu com inúmeras limitações. De maneira análoga ao sofrimento do poeta, muitos homens brasileiros têm sua saúde acometida e convivem com doenças, que causam limitações, porém não buscam por tratamentos e até mesmo diagnósticos. Isso mostra a relevância da conscientização social quanto a saúde desse público no ‘Novembro azul’. Nesse sentido, é fundamental analisar os principais desafios para isso acontencer, como o preconceito e a insuficiência do Estado.
Em primeira análise, é notório que há um preconceito enraizado sobre a abordagem de assuntos como câncer de próstata. Isso acontece porque existe um “tabu” em relação a temas da saúde masculina, como, por exemplo, sobre a necessidade do exame de toque retal, importante para a detecção precoce desse câncer. Visto isso, segundo o psicólogo Maycon Ávila do Hospital de Câncer de Barretos, muitos homens se recusam ao exame do toque, isso devido, principalmente, ao preconceito, o qual é proveniente de uma cultura maciçamente machista. Dessa forma, observa-se como é imprescindível que todo homem entenda, por meio da conscientização livre de qualquer construção cultural que possa levar a um estigma, que sua saúde deve ser colocada em primeiro lugar.
Ademais, é imperativo pontuar, como o Estado tem sido ineficiente no seu papel fundamental de conscientização a respeito da importância da realização de exames preventivos do câncer de prostata pelos homens. Diante disso, cabe salientar que, de acordo com o médico urologista Adriano Maia, da Fundação Centro de Controle de Oncologia, a resistência masculina em cuidar da saúde, por causa do preconceito, e a falta de informação contribuem para diagnóstico tardio do câncer de próstata no país. Com isso, nota-se a importância do Estado em levar a informação para esse público, principalmente jovem, possibilitando que eles cresçam devidamente informados sobre a problemática e, assim, não negligenciem o diagnóstico e tratamento precoce.
Depreende-se, portanto, a necessidade de aniquilar os desafios relacionados à conscientização masculina quanto ao câncer de prostata. Primeiramente, o Estado, por meio do Ministério da Saúde e Ministério da Cidadania, orgãos responsáveis por promover o bem-estar social, deve promover uma campanha em Rede Nacional, como Rede Globo. Essa deve abordar, por médicos oncologistas, sobre características da doença e necessidade da realização do exame de prostata anualmente, e, ainda, deve haver participação de atores de comédia, os quais devem desmistificar o exame do toque de uma forma leve, acabando com o preconceito.Assim, haverá diagnóstico precoce e uma população bem informada.