Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 11/05/2021

De acordo com a Constituição Federal Brasileira de 1988, a saúde é um direito de todos e dever do Estado que deve ser garantido por políticas públicas, a fim de reduzir o risco de doenças. No entanto, sabe-se que, por questões ideológicas de gênero, os homens não usufruem tanto desse privilégio e acabam desenvolvendo patologias preveníveis, se houvesse um bom acompanhamento médico. Sendo assim, pode-se inferir que a saúde masculina ainda requer uma conscientização social, cujos desafios são: desmistificar a masculinidade frágil e normalizar o cuidado masculino com a saúde.

Diante dessa premissa, é importante salientar que a masculinidade frágil, por se tratar de um fenômeno o qual o homem necessita demonstrar superioridade diante de mulheres, homossexuais e crianças; carrega consigo marcas de uma sociedade construída sobre os pilares da teoria de dominação, explicada pelo sociólogo Max Weber. Segundo ele, o homem se sente como autoridade maior na relação social, devido às características de força, velocidade e resistência que sempre o colocou como o chefe das organizações sociais. Sendo assim, essa percepção de superioridade desencadeia, no homem, o medo de externar suas fragilidades e, consequentemente, de procurar auxílio médico quando apresenta alguma disfunção. Por isso, essa mentalidade é um obstáculo a ser superado.

Além desse viés, existe ainda um outro desafio no processo de conscientização quanto à saúde masculina que é a normalização de uma rotina de preservação do estado de bem-estar do homem. Afinal de contas, a sociedade enxerga a preocupação com uma vida saudável por parte do indivíduo do sexo masculino como algo inapropriado e, por vezes, tende a classificá-lo como afeminado, já que ter atenção à saúde é algo mais comum entre mulheres. Por essa razão, os homens se sentem receosos em fazer exames de prevenção e comparecer a consultas médicas periódicas, como esclarece o Jornal Correio Braziliense em reportagem sobre o assunto.

Sendo assim, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para driblar essas questões. O Ministério da Saúde, portanto, deve investir na informação dos homens, criando “podcasts” que tragam conteúdo sobre a importância das consultas médicas para identificar, precocemente, doenças. Por outro lado, o Conselho Nacional de Direitos Humanos deve promover a conscientização da população, por meio de panfletos educativos, os quais reforcem a saúde como um direito inalienável de todos os brasileiros, a fim de assegurar que os homens não sejam mais rotulados por escolherem usurfruir desse privilégio. Dessa forma, será possível garantir uma maior adesão masculina aos cuidados com a saúde e uma sociedade mais consciente sobre o tema.