Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 12/05/2021

Na obra “O pequeno príncipe” existe um lugar secreto que é a terra das lágrimas, onde todos podem chorar, serem fragéis. Apesar do pequeno príncipe ser uma obra ficcional, essa terra é pouco acessada pelos homens, por ser um local de vulnerabilidade, em conseguinte esse estado de resistência sobre essa emoção acomete à saúde masculina, no caso pela falta de cuidados. A partir desse contexto, uma parcela significativa dos homens ainda encaram cuidar da saúde como falta de virilidade, por isso o novembro azul foi criado como uma forma pública de conscientizar sobre a importância dos cuidados da saúde. Por tanto, é necessário compreender o porquê dessa oposição a esses cuidados e a consequência atual pela negligência da saúde.

Em primeira análise, ao longo da história existiu uma construção social da sociedade ocidental em que as tarefas que envolvem o cuidar eram obrigações femininas, como cuidar da casa. Entretanto, essa premissa começou a englobar a saúde, com a justificativa de que apenas quem precisa cuidar da saúde é quem está doente, logo frágil. Além disso, o estado do ser de estar frágil é retirado do homem logo cedo, durante a infância com frases como “homem não chora” e a necessidade de estar sempre forte. Por isso, os homens, principalmente mais velhos, criam uma resistência aos cuidados com a saúde, que gera um ciclo de doenças pela falta da prevenção.

Ademais, esse sentimento de objeção acentuado pela masculinidade hegemônica, conceito da cientista social Raewyn Connell, que seria um padrão de práticas para a perpetuação do domínio do homem sobre a mulher, é acentuada pela retaliação ao toque. Entretanto, o toque é a principal maneira de identificar o aumento da prostáta, um dos indícios do câncer na região. Em contrapartida, esse tipo de câncer é a segunda principal causa de morte por câncer nos homens, já que um em cada nove homens são diagnosticados com a doença, ambos os dados segundo o Sociedade Americada de Câncer. Dessa forma, agravando a problemática social de negligência da saúde masculina.

Em suma, é urgente a conscientização social acerca da saúde masculina para construção de uma nação mais saudável. Por isso, é necessário que o Ministério da Saúde crie o projeto “Saúde hoje, vida amanhã” que visa o público-alvo masculino e a conscientização dele, através de campanhas publicitárias e ações para sanar as dúvidas desse coletivo e realizar exames rotineiros e encaminhar para o exame de prostáta, com a finalidade de aumentar a frequência dos cuidados, dessa forma o Estado fortalece o crescimento da expectativa de vida.