Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 12/05/2021

No documentário “O silêncio dos homens”, produzido por Ian Leite, é retratado como a pressão social sobre o homem influencia sua vida, fazendo-o criar um conceito preestabelecido sobre sua vivência e masculinidade. Nessa perspectiva, vê-se que tal fato é muito evidente, no Brasil atual, principalmente no âmbito sanitário desse cidadão, que é negligenciada pelo fato de que o indivíduo deve ser sempre “forte e masculino”. A partir desse viés, é válido analisar a falta de informação que permeia a saúde masculina e o preconceito que impede a conscientização sobre o tema.

De início, ressalta-se que a falta de informação que assola os indivíduos impede que haja uma conscientização acerca da saúde masculina. Conforme o pensamento do filósofo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Diante disso, percebe-se que, caso haja uma orientação plena acerca do tema, muitos cidadãos entenderão melhor os fatores que tangenciam seu bem-estar e procurarão a ajuda necessária no primeiro sinal de anormalidade. Entretanto, de acordo com a revista Saúde, cerca de 40% dos homens de até 39 anos e 20% dos acima de 40 só procuram um médico quando se sentem mal. Dessa maneira, é preciso mais investimento na instrução do homem acerca dos cuidados e prevenções do seu próprio quadro clínico, para que problemas futuros sejam evitados.

Ademais, segundo o filósofo A. Schopenhauer, o campo de visão de uma pessoa determina seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Diante desse panorama, vê-se que se o indivíduo possuir algum preconceito, que seja tangente às questões da saúde masculina, suas atitudes diante desse tema serão estritas, o que interfere expressamente no seu quadro clínico. Um exemplo disso, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer, no Brasil, um em cada quanto homens não faz o exame médico necessário para detectar o câncer de próstata por possuir algum estigma relacionado ao procedimento, mesmo que haja mais de 60 mil casos por ano da doença. Assim, o estereótipo predeterminado de que o exame retal pode corromper a masculinidade do homem faz com que muitos não se examinem, o que afeta diretamente a saúde e impede a conscientização a respeito do assunto.

Nota-se, portanto, que é necessária que haja uma maior conscientização acerca da saúde masculina. Para tanto, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, promova o ensino da saúde do ser humano, por a masculina estar inserida, nas escolas do país, com a adição da disciplina “saúde humana” na base comum curricular, que falará sobre o bem-estar regular do indivíduo e os sinais que indiquem problemas, com o objetivo de informar o cidadão e desconstruir conceitos preestabelecidos que interfiram no cuidado  do quadro clínico. Dessa maneira, então, poderá haver uma conscientização social acerca do âmbito sanitário masculino.