Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 11/05/2021
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, a expectativa de vida média dos homens era de 73,1 anos, enquanto a das mulheres atingiu o marco de 80,1 anos. Essa disparidade nos dados pode ser explicada por algumas razões, dentre elas, a maior preocupação do público feminino em relação à saúde e os preconceitos e estigmatizações que permeiam o assunto da saúde masculina no Brasil. Assim, verifica-se que a manutenção do bem estar nacional carece de um amplo debate sobre essas questões com o intuito de conscientizar os cidadãos a respeito delas.
Em primeiro plano, é válido analisar os impactos dos eventos biológicos referentes ao sexo feminino na execução de cuidados relativos à conservação da integridade física. Sendo assim, observa-se que a menarca, a gravidez e a menopausa, por serem fundamentais ao processo reprodutivo, são, frequentemente, discutidas na sociedade, o que resulta na maior difusão de informações entre as pessoas e no aumento da busca por atendimento médico especializado. Em contrapartida, os acontecimentos inerentes ao desenvolvimento e ao envelhecimento masculinos, tais quais as etapas da puberdade e a andropausa, ainda são pouco inseridos nas discussões públicas, ficando sujeitos às distorções e aos discursos populares, o que corrobora com procura reduzida dos homens por consultas preventivas regulares.
Ademais, a desinformação ocasiona o surgimento e a perpetuação de ideiais errôneas em relação a higidez do organismo masculino. De acordo com Cícero, a manutenção da saúde só é possível através do conhecimento e da observação do próprio corpo. Dessa maneira, os casos recorrentes de mortes de homens por doenças como o câncer de próstata são reflexos da ausência de esclarecimento da população e da estigmatização da saúde masculina, comunmente associada ao desempenho sexual dos indivíduos e aos padrões de masculinidade impostos socialmente. Esse contexto se configura como nocivo à medida que implica em diagnósticos tardios por desconhecimento e por preconceito.
Portanto, a conscientização da sociedade brasileira é fundamental para a preservação das boas condições de saúde da população de homens do país. Logo, para que essa ação seja posta em prática, o Governo Federal deve conceder recursos financeiros ao Ministério da Saúde para que, desse modo, o último possa investir em projetos que levem informação de qualidade aos cidadãos. Essas ações deverão ocorrer, cotidianamente, nas mídias digitais e televisivas, em pequenos intervalos de tempo, transmitindo aos espectadores conceitos pontuais e importantes, além de contar com um site, onde explicações mais aprofundadas poderão ser encontradas. Dessa forma, será possível diminuir o número de óbitos precoces de homens e aumentar suas longevidades.