Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 12/05/2021

O movimentopara conscientização do público masculino, conhecido como " Novembro Azul", originou-se em 1999 na Austrália com um grupo de amigos que deixaram a barba crescer para chamar atenção para a saúde masculina. Através disto, a campanha difundiu-se mundialmente contribuindo para quebra de tabus relacionados ao tema. Apesar disto, ainda existe uma grande parcela do público masculino que negligencia a própria saúde. Com base nisto, faz-se necessário analisar como o tabu associado aos métodos de prevenção agrava isto e como a ausência de ações governamentais intensifica esta problemática.

Primordialmente, torna-se importante destacar que, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens no Brasil. Apesar disto, a relutância com a prevenção e o diagnóstico da doença ainda faz-se presente na comunidade masculina, fato que está relacionado ao preconceito com o exame de toque retal. Por meio disto, percebe-se que a negligência do público masculino com a própria saúde está fortemente ligada a estrutura patriarcal e machista da sociedade, visto que os padrões tradicionais da identidade masculina impõe a forma que seria correta dos homens agirem na sociedade. Essa imposição de padrões promove a formação de uma masculinidade tóxica, pois com base nesse ideal, equivocado, um homem forte seria aquele que exclui qualquer demonstração de vulnerabilidade. Logo, nota-se que de acordo com a ideologia machista o exame de toque retal os tornariam “menos homem”.

Outrossim, percebe-se que a falta de interesse e o pouco investimento dos órgãos governamentais intensifica a desinformação e contribui para a permanência dos preconceitos no meio social. Visto que o desenvolvimento de programas educacionais e campanhas que alertam a importância dos cuidados preventivos, relacionados a saúde masculina tornaram-se rasas e pouco presente na sociedade. Devido a isso,  grande parte da população masculina não realiza exames, como comprova o dado do Ministério da Saúde, o qual afirma que o sistema de saúde brasileiro realiza seis vezes menos exames preventivos para homens, fato que contribui para o agravamento clínico de doenças que poderiam ser tratadas de forma menos agressiva. Logo, nota-se que a ausência de informação intensifica esta questão.

Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Saúde, juntamente as mídias sociais, promovam campanhas, através das redes sociais como Instagram, a fim de extinguir o preconceito e a falta de informação relacionado ao exame de toque retal e desmitificar a perda da masculinidade com o exame, para que possa ocorrer a conscientização masculina na sociedade.