Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 20/05/2021

A luta entre a vida e a masculinidade

A masculinidade frágil acompanhada do machismo, sempre foi um assunto muito prejudicial para todos os homens. O Novembro Azul, é o mês dedicado à luta contra o câncer de próstata, que ainda é considerado um tabu no universo masculino. Por conta do exame ser realizado por meio de um toque retal, muitos homens acham que vão estar “preservando a sua masculinidade”, não realizando o exame de acordo com o Dr. Maycon Ávila. Ou seja, muitos homens preferem não realizar o procedimento do que ter a oportunidade de prolongar sua vida, visto que o câncer de próstata é o segundo que mais mata homens no Brasil. O machismo estrutural coloca tanto a vida das mulheres quanto a dos homens em risco, por isso é hora de lutarmos ainda mais contra esse tipo de tabu, porque ele  pode te matar.

Em primeira análise, uma sociedade estruturalmente machista é um obstáculo para todos, inclusive para os homens. A pressão psicológica com o discurso “vire homem” ou “isso não é coisa de homem” é tanta, que até a realização de exames preventivos vira um tabu. De acordo com o site da Uol, 49% dos entrevistados nunca realizaram o exame, e 24% porque acham “pouco másculo”, o que pode mostrar os efeitos do machismo em nossa sociedade. A luta do feminismo é para que todos tenham o direito de viver, longe de tabus e preconceitos, ainda mais aqueles que afetem a sua qualidade de vida.

Adicionalmente, é possível perceber também a negligência em relação à saúde, dos entrevistados da Uol, cerca de 13% considera o exame desnecessário. A negligência com a saúde física e mental masculina, mesmo em um país com um sistema público (SUS), mostra as consequências de uma cultura que valoriza mais a masculinidade do que a própria saúde. Todo ano morrem cerca de 16.000 homens de câncer de próstata, só no Brasil, de acordo com o Inca, o que parece não ser motivo suficiente para a realização do exame. A negligência com o procedimento pode causar um diagnóstico tardio, ou seja, o indivíduo possui menos chances de recuperação.

Portanto, abordar o tema naturalmente, em formas de campanhas de conscientização, é primordial. É dever do Estado investir na divulgação de informação e campanhas de conscientização alternativas, como em propagandas de cerveja, novelas, jogos de futebol. Elas podem ser feitas a partir de uma celebridade procurando conscientizar sobre o exame, ou de uma conversa em um bar sobre o Novembro Azul. É de extrema importância que faça parte da lista de exames obrigatórios para vagas de emprego e viagens, podendo ser emitido um comprovante anual. A saúde deveria ser mais importante do que qualquer preconceito.