Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 27/05/2021

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde é o estado de completo bemestar físico, mental e social. Nesse sentido, no contexto brasileiro, substancial parcela comunitária caracteriza-se de maneira negligente, no que concerne à conscientização em relação à saúde homem, haja vista, também, o destaque de outras ocupações em detrimento da saúde desses cidadãos. Esse panorama decorre tanto da cultura familiar displicente relativa ao estado clínico do homem, quanto da limitada oferta de campanhas sociais acerca da saúde da figura masculina.

Sob essa perspectiva, a carência de estímulo, na esfera familiar, ao cuidado da saúde masculina configura-se como um desafio para conscientização social acerca do bem-estar do homem. Nesse contexto, conforme Émile Durkheim, sociólogo francês, a família é o mecanismo primário de socialização. Seguindo esse pensamento, a elucidação coletiva em relação à saúde masculina é dificultada, tendo em vista que, desde a infância, os homens são orientados à dedicação, predominantemente, em atividades laborais. Assim, essa cultura negligente, instituída já no tecido doméstico, referente ao completo estado de bem-estar da figura do homem perpetua-se na conjuntura social, de modo que muitos cidadãos omitem os cuidados com a saúde, física e mental.

Ademais, a escassa oferta de campanhas elucidativas sobre o bem-estar da figura masculina impede a plena politização coletiva em relação ao estado clínico dos homens. Nesse prisma, embora haja, anualmente, a campanha “Novembro Azul”, a qual tem por finalidade a prevenção do câncer de próstata – doença com alto índice de letalidade entre a população masculina – nos outros meses do ano, campanhas sobre a importância acerca do cuidado da saúde homem não são promovidas. Dessa forma, com essa omissão em relação às potenciais doenças – a hipertensão, por exemplo - que acometem a figura masculina, a esfera social, conduzida por essa falta de espaço para a discussão de saúde desses indivíduos, tende a manter o desconhecimento acerca da importância do cuidado ao quadro clínico do homem.

Portanto, urge que os postos públicos de saúde promovam, mensalmente, campanhas ligadas à importância do estímulo ao cuidado da saúde masculina desde a infância, bem como ao esclarecimento acerca da prevenção de doenças. Isso deve ser feito por meio de visitas, nos ambientes domésticos, de profissionais relacionados à saúde do homem, a fim de aumentar não só no tecido familiar, mas também no âmbito social, a conscientização coletiva em relação aos cuidados clínicos desses indivíduos. Dessa maneira, com a atuação dos postos de saúde, será possível garantir que o conceito proposto pela OMS seja aplicado, também, à população masculina