Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 14/06/2021

A novela “A vida da gente”, transmitida pela Rede Globo, retrata, entre muitas, a histórias do personagem Laudelino que descobre que está com câncer de próstata. Embora ficcional, atualmente, no Brasil, ainda que existam projetos como o “Novembro azul”, muitos homens têm sido acometidos por doenças como essa, uma vez que existem desafios para a concientização quanto a importância do cuidado com a saúde masculina. Nesse contexto, é preciso destacar, como colaboradores a essa questão, fatores históricos ligados a visão social sobre o homem e os déficits de incentivo no país.

Cabe analisar, primeiramente, que a existência de desafios à saúde masculina são frutos de aspectos históricos voltados a visão socialmente costruida do homem. Sob esse viés, é possível destacar que a nação brasileira foi moldada a partir do machismo e do patriarcalismo, que criaram a errônea sensação, ainda vigente, de superioridade masculinas. Assim, uma vez que a sociedade cresceu baseada na valorização exacerbada do homem e em uma visão de poder e força vinda desses, a busca por atendimentos médicos vão de encontro ao esperado por demonstrarem a fragilidade masculina.

Ademais, existem, ainda, déficits no incentivo ao cuidado com a saúde desse público que colaboram a questão. Nessa ótica, é relevante salientar que projetos, por exemplo, direcionados ao atendimento médico aos homens e disseminados nas mídias de comunicação - como a televisão- só acontecem, de forma mais marcante, no mês de novembro, sem que hajam estímulos efetivos no resto do ano. Dessa forma, como, segundo o sociológo Locke, os seres humanos são preenchidos por influências externas, é notório seu impacto na relação homem e saúde, já que empede a absorção de conhecimento, seja sobre as doenças, seja sobre formas de tratamento e atendimento, para mudanças.

Depreende-se, portanto, sabendo-se dos fatores históricos e das falhas de incentivo, a urgência de ações interventivas. Para isso, o governo federal deve, em parceria com o Ministério da Saúde, promover a criação do projeto “Homem-saúde”, por meio do redirecionamento de verbas da Receita Federal, para a realização de campanhas, palestras e bate-papos com médicos especialistas, tanto para acabar com os esteriótipos sociais, tanto para discutir a relevância do atendimento médico a esse público, durante todo o ano, em canais como televisão e redes sociais. Nesse sentido, o intuito de tal ação é incentivar mais homens a cuidarem da saúde e, consequentemente, reduzir os casos de doenças, como a de Laudelino, atual e futuramente.