Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 04/09/2021

A visão, amplamente aceita, de que homens não choram revela o fato do público masculino se achar mais forte do que realmente é. Essa situação, muitas vezes, leva grande parte da população masculina a não não realizar prevenção ao câncer de próstata. Diante disso, é vital a análise acerca dos desafios para a conscientização social quanto à saúde dos homens. Nesse sentido, destacam-se: o legado histórico e a negligência constitucional.

Primeiramente, é indubitável que a herança histórica contribui para o problema. Isso acontece, porque na Era Vitoriana a autossuficiência e o distanciameno de práticas consideradas femininas era requisito de masculinidade. No cenário hodierno, esse ideal vitoriano ainda é presente, pois a sociedade tende a absorver pensamentos e comportamentos contruídos historicamente, bem como afirma o sociólogo Max Weber, em seu conceito de ação social tradicional. Desse modo, muitos homens, imbuídos do receio de parecerem menos masculinos, optam por não realizarem a prevenção ao câncer de próstata. Esse panorama, infelizmente, torna cada vez mais distante a conscientização social do homem quanto à sua saúde.

Outrossim, outro fator de destaque dessa conjuntura é a negligência constitucional. Sob esse prisma, alude-se o artigo 205 da Constituição Federal de 1988, no qual há a garantia de que a educação atue no pleno desenvolvimento do cidadão. Tristemente, isso não é, perfeitamente, cumprido, visto que as escolas não possuem ferramentas educacionais direcionadas à conscientização dos homens em relação a sua saúde. Dessa forma, grande parcela do público masculino não se previne de doenças como o câncer de próstata por, simplesmente, não terem recebido direcionamento educacional sobre o assunto.

É evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para combater os desafios que impedem a conscientização social quanto à saúde masculina. Logo, é vital que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, promova ferramentas educacionais direcionadas à importância da saúde masculina. Essa medida deve ser realizada por meio da interdisciplinaridade entre as matérias de biologia e sociologia, nas quais haverá um capítulo direcionado a combater os preconceitos do homem acerca da própria saúde e a importância dela, ressaltando, sobretudo, os processos históricos que levaram a esse estigma. Além disso, essa iniciativa deverá iniciar no ensino fundamental e prosseguir até o fim do ensino médio. Só, assim, a prevenção ao câncer de próstata poderá fazer parte da realidade dos homens.