Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 21/07/2021
Promulgada pela ONU, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. Entretanto, na prática, tal garantia é deturpada, visto que a conscientização quanto à saúde masculina não encontra-se efetivada na sociedade. Desse modo, a inoperância estatal em consonância com o machismo são os principais pilares para esses conflitos.
Primeiramente, vale salientar a negligência governamental como impulsionadora da problemática. Por essa perspectiva, faltam especialistas, como urologistas e andrologistas, nos postos de saúde para atender a população masculina. Dessa maneira, doenças, como câncer de próstata e cálculos renais, acabam por perpetua-se. Essa conjuntura, segundo as ideias do contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “ Contrato Social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, vale ressaltar o patriarcalismo como perpetuador do impasse. Destarte, segundo o documentário “A máscara que você vive”, é socialmente construído a partir da associação entre masculinidade e virilidade, de modo que qualquer ação que evidencie a fragilidade do homem o coloca em uma posição de rebaixamento. Sob essa ótica, denota-se que o zelo com a saúde é desvalorizado, pois é entendido como a manifestação de fragilidade, sobretudo porque muitos atos de autocuidado se opõem a símbolos ligados ao masculino- o exame prostático retal, por exemplo, é rejeitado por se associado ao sexo anal, prática incompatível como arquétipo da masculinidade. Assim, é evidente a relação entre machismo e descuido com a saúde.
Portanto, com intuito de mitigar os impasses relacionados à conscientização da saúde masculina, urge que o Estado, como promotor e garantir do bem-estar social, disponibilize subsídios para que o Ministério da Saúde reverta essa verba em contratação de especialistas, que, por meio de workshops, nas escolas, atenderiam os homens e informaria os cidadãos a importância do autocuidado masculino e do exame retal, para detecção do câncer de próstata. Somente assim, a Declaração Universal dos Direitos Humanos entrará em completo vigor.