Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 16/08/2021

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina representam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Desse modo, faz-se imperiosa a análise dos fatores favorecedores desse quadro deletério, com ênfase na falta de políticas públicas eficazes e no preconceito.

Convém ressaltar, a princípio, a ausência de medidas governamentais eficazes, no que tange a garantir a conscientização social quanto à saúde do homem no Brasil. Nesse sentido, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), diariamente, 43 homens morrem em decorrência do câncer de próstata, sendo o tipo de câncer mais frequente entre os brasileiros. Nesse sentido, vale pontuar que o exame de próstata é imprescindível para a detecção precoce desse câncer, o que, segundo o mesmo Instituto, é determinante para evitar a piora do quadro. Dessa forma, tendo em vista o elevado índice de mortalidade supracitado, explicita-se o fato de que o Estado não incentiva a adesão da população masculina ao exame de próstata. Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do que ele denomina por “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre o seu dever se assegurar direitos indispensáveis, como a saúde, o que, infelizmente, é notório no Brasil.

Ademais, é pertinente ressaltar o preconceito acerca do exame de próstata como impulsionador desse quadro problemático. Nesse viés, é pertinente trazer a frase do filósofo Immanuel Kant, em que ele postula que “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Nesse aspecto, os meninos, ao não terem das escolas o conhecimento sobre a importância dos exames preventivos e conviverem em um corpo social ainda machista, acabam por verem o exame de próstata como “ameaça à masculinidade” e não realizam as análises clínicas, imprescindíveis à manutenção da saúde. Logo, é inadmissível que essa realidade arcaica continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater os percalços abordados. Para isso, cabe ao Executivo, por meio da mídia, propagar materiais educativos, à linguagem tanto dos jovens quanto dos adultos, que possam incentivar a adesão massiva ao exame de próstata pelo Sistema Único de Saúde (SUS), explicitando sua relevância à prevenção do câncer, a fim de permitir a detecção e o tratamento precoce de indivíduos afetados. Isso deve possibilitar, a longo prazo, a desconstrução do preconceito existente no coletivo, bem como frear o aumento da mortalidade decorrente desse câncer.