Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 17/08/2021

A música ‘‘Homem não chora’’, do cantor Pablo, reforça o estereótipo de que os homens não sofrem, pois sofrer é sinônimo de fraqueza. Sob essa lógica, hodiernamente, os homens brasileiros padecem com a dificuldade de se conscientizar quanto à procura de ajuda médica quando necessária, já que existe uma ideia de que os homens, por serem fortes, não ficam doentes. Dessa forma, é necessário promover uma análise a fim de encontrar soluções, o que será possível a partir do entendimento do machismo, bem como a falta de informações.

É primordial ressaltar, primeiramente, que o machismo é o que dificulta a conscientização dos homens em relação à saúde. Segundo Simone Beauvoir, filósofa francesa, o mais escandaloso dos escândalos é quando nos habituamos a eles. A afirmação atribuída a filósofa, pode ser facilmente aplicada ao problema supracitado, já que mais escandalosa do que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a essa realidade. Nesse viés, apesar de muito se discutir sobre como o machismo afeta a vida das mulheres, pouco se debate sobre a influência dele na vida dos homens, já que a sociedade se habituou a existência desse problema e pouco se importa em combate-lo. Deste modo, os homens sofrem com o estereótipo de nunca demonstrarem fraqueza, ideia imposta pelo machismo.

Além disso, a falta de informações em prol de conscientizar a população masculina é o principal problema. Segundo o Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR), em uma pesquisa realizada, 25% dos entrevistados afirmaram que o câncer de próstata era uma doença rara. Entretanto, isso não é verdade, já que de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de próstata é o segundo tipo mais comum entre os homens. Portanto,  essas pesquisas reforçam como a falta de informações sobre a real gravidade do problema  contribui para os homens não serem conscientizados sobre procurar ajuda médica, como consequência, podem ser levados até mesmo a óbito.

Dessarte, é de extrema urgência que os homens sejam aconselhados e busquem cuidar da saúde. Logo, cabe a mídia, responsável por divulgar informações, elaborar campanhas que busquem combater o machismo, por meio de propagandas, com a finalidade de conscientizar a população de que o individuo que se encontra em vulnerabilidade não deixará de ser homem se procurar ajuda médica. Ademais, é dever do Ministério da Saúde (MIS), em parceria da mídia, elaborar projetos educativos sobre a importância de ir ao médico, com o intuito de alertar sobre as doenças que possam vir a se manifestar nos homens. Assim, espera-se que os estereótipos atribuídos aos homens fiquem apenas na música ‘‘Homem não chora’’, e deixem de ser a realidade vivida por esses indivíduos.