Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 11/09/2021

Na obra cinematográfica “A Bela e a Fera”, o antagonista, Gaston, é um personagem másculo, forte e insensível. Esse estereótipo de homem, conhecido como “Síndrome de Gaston”, é, infelizmente, visto em grande parte dos brasileiros e, também, contribui para a falta de cuidado com a saúde e desprevenção de doenças. Logo, é perceptível como a visão machista afeta a saúde do indivíduo, acarretando prejuízos ao homem.

Primordialmente, o renomado filósofo Rousseau, afirma que o homem é produto do meio. Assim, tal pensamento pode ser facilmente atribuído ao tema, visto que, o machismo estrutural, introduzido desde a infância, reprime o zelo com a saúde, pois é entendido como manifestação de fragilidade, já que, segundo o Inca - Instituto Nacional de Câncer, 49% dos brasileiros acima de 45 anos nunca realizaram o exame de próstata, isso porque, é associado ao sexo anal, prática incompatível com o esteriótipo de masculinidade. Logo, enquanto a fragilidade masculina se mantiver corrente, o descuido com a saúde continuará a afligir o Brasil.

Ademais, o médico Drauzio Varella afirma que existe um raciocínio que privilegia o tratamento de doenças em detrimento da prevenção delas, ou seja, os indivíduos não se previnem e esperam adquirir quadros graves da doença - como o câncer de próstata - o que acaba por comprometer a qualidade de vida do indivíduo. Assim, é ilógico pensar que, num país que se consagra desenvolvido, a saúde masculina seja colocada em segundo plano.

É inaceitável, portanto, que exista uma parcela significativa da sociedade afetada pelo impasse. Destarte, é necessário que o Ministério da Saúde - órgão responsável pela promoção e proteção da saúde da população, em parceria com a mídia, desenvolva anúncios e campanhas de prevenção, por intermédio das redes digitais, voltada para o público masculino, com intuito de conscientizar e proteger a saúde do homem. Dessa maneira, será possível desconstruir o pensamento ultrapassado e, consequentemente, evitar o “Complexo de Gaston” entre os cidadãos.