Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 23/09/2021

De acordo com o artigo 196 da Constituição Federal de 1988, a saúde é um dieito de todos e um dever do Estado, instituição responsável pela abordagem preventiva dessa temática. Entretanto, o infeliz desconhecimento social acerca dos cuidados com a saúde masculina evidencia a negligência do texto oficial na vida prática. Assim, destaca-se que a continuidade dessa conjuntura ocorre tanto em virtude do estereótipo de masculinidade, quanto da priorização da cura em detrimento da prevenção presente nas medidas públicas governamentais.

Sob tal ótica, o conceito deturpado de masculinidade, construído histórica e culturalmente, reforça o cuidado com a saúde como uma vulnerabilidade. Nesse sentido, o escritor brasileiro Gilberto Freyre, na obra “Casa Grande e Senzala”, evidencia a estrutura patriarcal fixa que pode ser responsabilizada pela maioria dos distúrbios sociais da contemporaneidade. O imaginário formado a partir desse princípio atribui ao homem uma figura forte, viril e sem falhas quaisquer, o que oportuniza o perceptível descaso desses cidadãos com a sua saúde, seja ela física ou mental.

Por outro lado, a falha Estatal no cumprimento de seu dever constitucional configura um impeditivo para que haja meios suficientes de ocorrência da conscietização social. Isso ocorre a partir da negligente postura governamental em suas campanhas midiáticas, que visam prioritariamente o conhecimento de doenças e de suas curas, mas não destacam a real importância da prevenção quanto a elas. Tal equívoco contribui para o aumento da mortalidade masculina, quando comparado à feminina, o que acentua o desequilíbrio demográfico e eleva essa discussão para uma ordem emocional: diversas famílias brasileiras são desestruturadas e a qualidade de vida desses indivíduos é reduzida.

Infere-se, portanto, que cabe às instituições de ensino ofertar palestras aos aluos do ensino médio, as quais devem ser mediadas por profissionais da saúde que abordem a pressão psicológica do machismo sobre os próprios homens, a fim de desconstruir a visão simplista da masculinidade. Ademais, o Governo Federal deve intensificar de forma contundente as campanhas de incentivo à prevenção, especificamente destacando os benefícios a longo prazo, como a melhora na qualidade de vida e na longevidade do sexo masculino. Com isso, a informação será disseminada, tornando efetivos os direitos e deveres constitucionais.