Novos modelos de educação
Enviada em 01/10/2019
É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito dos desafios da empregabilidade dos novos modelos de educação no Brasil. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente ao ultrapassado sistema de ensino, mas também a inoperância estatal.
Em primeira análise, pontua-se o defasado modelo de ensino educacional nas escolas regulares como agente precursor do agravamento da situação. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, consoante à pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI), seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de educação pública eficiente. A realidade, entretanto, é justamente o oposto e o resultado desse contraste é observado nas mais variadas adversidades perpetradas e difundidas nos centros educacionais, questões como o bullying e os elevados índices de evasão escolar ilustram o triste cenário da educação no país. Posto isso, os novos modelos de educação surgem como ferramentas capazes de reverter esse quadro.
Outrossim, o desleixo governamental contribui para a acentuação da problemática. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles, defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas em relação ao desenvolvimento e melhoria das novas formas de educar fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar a mazela social. Porquanto, a decisão adotada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a qual proíbe os pais de tirarem os filhos da escola para ensiná-los exclusivamente em casa, prática denominada “homeschooling”, exemplifica o desdém político-administrativo. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nos valores e nas ações políticosociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e os acontecimentos supracitados possam ser mitigados à população.
Logo, para que o triunfo sobre as dificuldades da implementação de novos modelos educacionais seja consumado, urge que o Ministério da Educação, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova a criação de centros de pesquisas e estudos científicos, de modo a desenvolver e melhorar esses modelos. Ademais, essa ação deverá ser acompanhada por debates entre os cidadãos e o governo, com o fito de facilitar a compreensão popular acerca do tema. Ainda assim, parte da verba deverá ser aplicada em incentivos estudantis e na segurança das escolas públicas, com o fito de amenizar a evasão escolar e o bullying. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.