Novos modelos de educação

Enviada em 30/09/2019

Adaptação ao tema: EDUCAÇÃO FINANCEIRA EM XEQUE NO BRASIL

Apenas teoria

Os percursores do pesamento contratualista – corrente teórica firmada no século XVI – partilhavam da ideia de que a organização de relações sociais, atrelada à necessidade de administração civil e pública, seria fundamental para construção de uma vida em harmonia. No paradoxo à ideia secular, a ineficácia de agentes públicos brasileiros, na valorização da educação financeira no país, demonstra a fragilidade dos membros sociais no cumprimento de medidas contratualistas. Com efeito, a problemática pressupõe ações interventoras, a saber, a adoção de políticas econômicas e pedagógicas.

Por via de fato, a deficiente construção da cultura de educação financeira, no Brasil, deve-se, sobretudo, à minima instrução dada aos indivíduos, em matrizes primárias. Para Paulo Freire, as escolas detêm o papel de preparar indivíduos para viver, com êxito, em comunidade. No entanto, a atenuação da preocupação econômica, no contexto verde-amarelo — visivelmente evidenciada por um grande quantitativo de conterrâneos endividados — expõe a ineficácia de instituições pedagógicas no incentivo à organização monetária. Dessa forma, enquanto a função instrutiva da escola não for um aspecto priorizado, a dificuldade do planejamento capital, no país, será exceção.

No mais, a persistência de uma sociedade consumista, em adição à propagação midiática exacerbada de produtos, constituem fatores primordiais para a desorganização econômica dos indivíduos. Nesse sentido, Theodor Adorno critica, a partir da ideia de ‘‘Indústria Cultural’’, que a função apelativa de órgãos midiáticos se adequa às demandas comerciais do momento. Sobre isso, a união de órgãos publicitários, ao intenso cenário persuasivo de consumo, facilitam a construção de uma sociedade pautada mais manipulada. Por isso, a adoção de uma sociedade mais racional, no âmbito financeiro, exige, pois, a desconstrução de um entrave social persistente: a alienação no consumo.

É essencial, portanto, que órgãos de autoridade e sociedade civil ajam em conjunto, para consolidar, em todo o território brasileiro, a valorização da pedagogia financeira. Compete, assim, ao Ministério da Educação promover aulas interdisciplinares nas escolas, abertas para todos os públicos, a fim de enfatizar a importância da administração econômica. Por mais, convém ao Ministério Público limitar a persuasão intensificada de marcas e produtos, com intuito de construir uma esfera social mais conscientes e livre. Por conseguinte, será construída uma sociedade em que a educação financeira tornar-se-á um tema altamente em voga e que, assim, as premissas contratualistas deixariam de ser apenas teoria,