Novos modelos de educação

Enviada em 25/06/2021

Sabe-se que o cenário escolar é de extrema relevância para a formação de indivíduos sociáveis e possuidores de experiências adquiridas por meio da vivência. No entanto, também é notória a importância do papel da liberdade de escolha dos pais na educação de seus filhos. Nesse contexto, a educação domiciliar se torna uma possível opção dos responsáveis, porém, no Brasil, sua prática enfrenta alguns impasses, sendo eles a falta de discussão acerca de suas consequências e a carência de um melhor planejamento da sua implementação.

A princípio, o processo de realização da educação domiciliar era, em sua maioria, praticado pela elite, o que impedia a democratização do acesso à informação. No contexto vigente, segundo o Artigo 176° da Constituição Federal, a educação é direito de todos e dever do Estado, entretanto, a preeminência desse sistema é questionável. Em confirmação, o Brasil se encontra na 57ª posição no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Sob essa ótica, pequisas acerca do homeschooling no cenário nacional são necessárias, visto que a situação educacional do país ainda se encontra em uma posição preocupante que, com a implantação desse novo modelo, pode impulsionar a probabilidade de uma intensificação da diferença da qualidade de ensino oferecida.

Além disso, a possibilidade da perda de experiências sociais e pessoais deve ser discutida. Primordialmente, a prática da educação e domiciliar era classificada como ilegal, porém em junho deste ano, foi aprovada pela Assembleia Legislativa. Tal acontecimento demostra a necessidade do planejamento de como essa nova ação será implantada, e de como possíveis consequências negativas serão evitadas. Nesse viés, uma profunda investigação acerca da inserção do homeschooling no Brasil é imprescindível, visto que a ampliação do modo de repassar conhecimento deve ser exercida de maneira segura, não somente para as crianças e adolescentes, mas também para aqueles que contam com a ajuda do Estado para obterem acesso à educação.

Portanto, a falta de discussão cerca de seus efeitos e a carência de um planejamento para a sua implementação são impasses que estão em torno da realização desse novo modelo no Brasil. Diante disso, cabe ao Ministério da Educação, juntamente às Universidades público-privadas, realizar um melhor embasamento dos pontos negativos e positivos de sua instalação, por meio de pesquisas e estudos do núcleo social e de seu comportamento, para que dúvidas sejam eliminadas. Ademais, cabe ao Poder Legislativo, garantir uma aplicação segura do homeschooling, por meio da criação de leis, para que haja uma melhor regulamentação e planejamento dessa ação. Somente assim, a variabilidade do modelo tradicional de ensino poderá ser concedida de maneira consciente e racional.