Novos modelos de educação

Enviada em 19/10/2021

O filósofo Yuval Noah Harari, em seu livro “21 lições para o século XXI”, afirma que a humanidade passa por uma 4ª Revolução Industrial, a qual traz inovações tecnólogicas em todos os âmbitos, incluindo o da educação. Além disso, o filósofo afirma que, pouco a pouco, os ambientes educativos são revolucionados pelo fluxo de novos pensamentos, de maneira que torna-se importante debater a crucialidade de gerar novidades nesses locais, bem como a dificuldade de adaptar-se ao novo.

Primordialmente, cabe mencionar a obra do pedagogo Paulo Freire, instituído como Patrono da Educação no Brasil. Segundo o pensador, o ensino deve ser uma ação coletiva, que leve em consideração a realidade de cada um dos aprendizes e estabeleça uma relação de igualdade entre professor e aluno. Para isso, afirma Freire, é importante estar preparado para utilizar todas as ferramentas disponíveis, inclusive as que advêm do avanço tecnológico e aumentam a praticidade dos atos educativos. Além disso, Paulo Freire faz uma crítica rigorosa àqueles que acreditam que a tecnologia e o bem-estar social são inconciliáveis. Dessa maneira, conclui-se que é necessário traçar uma caminhada harmoniosa entre ambos os fatores, a fim de que seja possível o crescimento intelectual da população.

Devido à necessidade de harmonia, é possível sugerir que o desenvolvimento dos novos modelos de educação não pode, sob nenhuma circunstância, estar descolado da realidade em que o povo vive, para que a adaptação ao novo possa ser pacífica. Quanto a isso, convém aludir ao líder revolucionário vietnamita, Ho Chi Minh, que comenta, em alguns pontos de sua obra, a questão educacional, uma das prioridades da revolução socialista no Vietnã. Entre outras conjecturas, Ho Chi Minh alega que é inviável desenvolver a tecnologia mais rapidamente que as condições materiais da população, de forma a causar um descompasso, no qual haveria muitas ferramentas inovadoras, mas poucas pessoas capazes de acessá-las e utilizá-las. Logo, põe-se que é impossível realizar avanços na educação, sem, antes, habilitar o povo a ocupar ambientes de estudo e ensiná-los o mais básico.

Em conclusão, pode-se dizer que o Ministério da Educação precisa investir no avanço da tecnologia educacional no Brasil. Isso pode ser feito por meio da criação de um fundo monetário direcionado ao fornecimento de computadores e internet para as escolas e universidades, a fim de que ocorra uma evolução no âmbito do aprendizado, como prevê Yuval Noah Harari. Ademais, é preciso que esse mesmo Ministério garanta o desenvolvimento do debate social nos ambientes de ensino. Isso pode ser realizado por intermédio do investimento na construção de bibliotecas comunitárias, abastecidas com livros acerca da teoria educativa, para que não ocorra descompasso entre tecnologia e sociedade.