O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 18/09/2019
O álcool, conforme assegura a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a substância psicoativa mais consumida no mundo. Acerca disso, a sociedade brasileira hodierna entra para as estatísticas da organização como uma das maiores consumidoras per capita de bebidas alcoólicas do globo, o que acarreta consequências sociais e de saúde inestimáveis, suscitando, portanto, o debate sobre essa conjuntura.
Em primeiro plano, é pertinente ressaltar os efeitos diretos do consumo de álcool para a coletividade. Relativo a isso, a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), por meio de pesquisas, afirma que 55% das mortes de trânsito no país - 40 mil anuais - tem relação direta com ingestão de bebidas alcoólicas. Esses dados revelam a persistência de ilicitudes, ainda que o país conte com uma regulamentação específica sobre o tema (Lei Seca), caracterizando uma cultura de transgressão.
Outrossim, o capital de empresas do segmento de bebidas é fator decisivo para manutenção dessa cultura nociva. A esse respeito, o “lobby” das fabricantes -detentoras de vultuosos lucros no país- além de veicular comerciais associando consumo a bem-estar e “status” social, tem nos congressistas a ferramenta para sua persistência; Haja vista que são frequentes financiadoras de campanhas, e, por meio dos parlamentares, asseguram legisladores que agirão em causas dos provedores.
Dessarte, fica nítida a urgência da problemática supracitada e que, para sua superação, é imperiosa a ação do poder público. Para tanto, é primordial que o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, veicule propagandas e cartilhas em locais de grande circulação de pessoas, como metrôs e rodoviárias, elucidando os efeitos devastadores trazidos pelo excesso da substância em questão. Além disso, visando afastar a influência externa de “lobbys” empresariais nas legislaturas, cabe ao Ministério da Justiça, por meio de suas polícias, o recrudescimento na fiscalização das leis já existentes no país. Dessa maneira, então, há que se aspirar uma sociedade saudável, livre da ameaça do abuso de álcool.