O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 28/08/2019

A mitologia grega atribui o consumo do álcool a personificação de Dionísio, deus da embriaguez, da desordem e do irracional, como justificativa para o abuso na ingestão de bebida alcoólica. Nesse contexto, observa-se, na contemporaneidade, notório índice de alcoolismo na sociedade brasileira, gerado pela ilusão de prazer com o consumo. Todavia, a sensação de calma e satisfação compõe grande perigo no tocante a incapacidade de concentração e saúde comprometida, o que se mostra problema social a ser modificado, sob pena de graves prejuízos ao organismo do indivíduo.

Primeiramente, é de inteira importância a averiguação da cultura do alcoolismo como fuga da realidade. A esse respeito, o filósofo prussiano Immanuel Kant proferiu que “o homem é aquilo que a educação faz dele”, de modo que a cultura da ingestão do álcool na população brasileira propõe êxtase momentânea e relaxamento. Contudo, os riscos do consumo de bebidas para a saúde acelera a dependência e o vício, ao ponto de resultar na sobrecarga do fígado - órgão que metaboliza o álcool - e gerar a hepatite alcoólica. Dessa forma, é incoerente que o Estado Democrático de Direito perpetue a imagem do alcoolismo e divulgue o ideal de consumo para aceitação no meio social, de modo que enquanto o problema não for solucionado, o governo terá que conviver com a problemática exposta: o abuso do álcool.

De outra parte, a prática do alcoolismo precoce configura grave questão para o desenvolvimento da sociedade. Nesse viés, segundo pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, 1/3 dos jovens brasileiros consomem bebidas alcoólicas antes dos 18 anos, opondo-se à formação regular do organismo do adolescente, que apresenta desenvolvimento incompleto do córtex cerebral, ainda em constituição. Ademais, a necessidade de inserção no meio social e aceitação induz o adolescente ao consumo e uso prematuro, corroborado pelo baixo preço das bebidas e reduzida fiscalização da compra por menores de idade. Por conseguinte, a cultura do alcoolismo fixa-se na população brasileira ainda jovem e ameaça o avanço psicológico e cognitivo do indivíduo.

Destarte, urge a primordialidade de ações governamentais que visem atenuar a problemática. Para isso, cabe ao Ministério da Educação inserir na disciplina de Biologia o estudo semanal da estrutura bioquímica do álcool e seus efeitos no organismo, além de promover - com o programa Coordenador de Pais - discussão com profissionais pedagógicos e da saúde junto aos pais e alunos, a fim de desmistificar a cultura do consumo do álcool e sua implicação para com os perigos na formação do corpo do adolescente. Com isso, o abuso do álcool será reduzido na população brasileira, a medida que a consciência dos reais riscos ao vício no álcool seja efetivada desde a educação básica