O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 09/09/2019

O ser humano encontra nos momentos de bem-estar - satisfação de suas vontades - motivos que tornam sua existência menos miserável e mais suportável. Por esse aspecto, essa é a visão que  Schopenhauer, filósofo alemão, tem da existência humana, e todo tipo de vício se encontra nesse contexto, inclusive o álcool, em que o indivíduo se torna escravo de sua vontade .No que tange ao abuso de álcool na sociedade brasileira, têm-se duas perspectivas: a primeira que se deriva de uma dimensão cultural brasileira que torna o consumo de álcool algo bastante arraigado dentro da país; a segunda está relacionada à saúde mental da sociedade pós-moderna, no qual o consumo excessivo de álcool pode estar atrelado à aflições psicológicas dos indivíduos.

O consumo de álcool não é algo recente no Brasil, e está datado desde o período colonial. Para exemplificar, a revolta da cachaça,ocorrida no século XVII no Rio de Janeiro, se deu pela proibição da venda de cachaça e o monopólio do comércio de vinho português no Brasil. Nesse contexto, a população contrabandeou o produto, e no Rio de Janeiro o governador da época permitiu a venda, porém, sobretaxou o derivado da cana , o que irritou a população que tentou retirá-lo do poder com uma revolta. Desse modo, o consumo de álcool não é algo secundário na sociedade brasileira, o que torna difícil uma mudança de hábito da população, porém, devido o consumo abusivo, medidas progressivas e atenuantes devem ser tomadas para combater o vício.

Ademais, o cuidado com a saúde mental do brasileiro é essencial para se combater o uso excessivo de álcool. Nesse sentido, a dimensão psicológica é crucial para se entender um vício, tal como Elis Regina ou Raul Seixas, ambos atormentados por uma melancolia,  fato que colaborava para a criatividade de ambos,entretanto, tornaram-se dependentes químicos e morreram pelo consumo abusivo de álcool. Dessa maneira, o abuso de substância é combatível por auxílio psicológico e psiquiátrico, caso contrário, a depressão irá perdurar e tornar o indivíduo cada vez mais debilitado.

Dado o exposto,faz-se necessário uma atuação do Ministério da Saúde, por intermédio de centros médicos e instituições de ensino, que vise uma promoção de atendimentos gratuitos de psicólogos e psiquiatras, além de palestras que esclareçam a população sobre o alcoolismo. Com isso, jovens e adultos poderão se amparar em atendimentos médicos para amenizarem suas dores existenciais, e na educação para compreenderem a dimensão social, biológica e as consequências do consumo dessa substância. Só assim, em concordância com a filosofia de Schopenhauer, o brasileiro não deve se apoiar em substâncias para se sentir bem, mas ao suprimir a vontade a existência pode ser mais suportável e a felicidade pode ser encontrado de forma mais simples e indolor.