O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 12/09/2019
Modernidade alcoólica
Na era da informação, é inegável que o ritmo frenético no qual tudo é modificado e passageiro, a incerteza e as angústias se estabelecem. De modo que o uso de drogas como o álcool se torna uma saída para as frustrações cotidianas. Assim, o ambiente criado pela modernidade aumenta o consumo de bebidas alcoólicas pela população brasileira da mesma forma que o cortiço da obra homônima de Aluísio Azevedo influenciou o comportamento de suas personagens.
Como já foi teorizado pelo sociólogo Bauman: nada é feito para durar. Ele é criador do conceito “modernidade líquida”, pensamento que tem como ideia central a fluidez como as formas sociais se modificam e as incertezas que essa situação gera ao homem. De forma que o cidadão se torne um consumidor e sempre viva com o temor do desemprego, de ficar para trás, de não se encaixar nesse mundo veloz. Isso faz a humanidade buscar alternativas para fugir dessas angústias e aliviar esse sofrimento.
Em consequência disso, o consumo de álcool se tornou uma regra social. Visto que tanto para passar por um momento triste como para celebrar uma vitória, a bebida alcoólica é fundamental e, geralmente, está relacionada a qualquer atividade de lazer. Além disso, as pessoas que não bebem sofrem pressão e são constantemente obrigadas a explicar o porquê de não usá-la e não se divertirem. Analogamente aos comentários acima descritos, o livro “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley mostra uma sociedade dependente de uma droga chamada “soma” que é distribuída logo após o horário de trabalho para que os cidadãos possam fugir da realidade. Diante dessa situação, a personagem Bernard Marx, que não faz uso da droga, é visto com maus olhos.
Logo, o Poder Público precisa agir rapidamente para evitar o incremento de novos usuários de uma droga que causa tantos problemas sociais. Dessa forma, é imprescindível que o Congresso Nacional aprove uma lei que consiga diminuir o consumo do álcool e informe a sua população sobre os perigos causados por ele. Portanto, a proibição da propaganda de bebidas alcoólicas bem como o dever de serem colocadas advertências sobre o seu consumo nas suas embalagens são saídas que os representantes do povo podem buscar. Já que é fundamental diminuir a percepção da população de que a felicidade está simbioticamente relacionada ao consumo de álcool, imagem que as campanhas publicitárias tentam passar, e alertá-la sobre os perigos causados pelo seu uso. Além dos deputados e senadores, o Ministério Público também pode agir para buscar a paridade entre o consumo de álcool e o uso de cigarro, droga que já possui obrigações determinadas por lei, por vias judiciais.