O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 20/09/2019
Modernidade alcoólica
Na era da informação, é inegável que o ritmo frenético no qual tudo é modificado e passageiro, a incerteza e as angústias se estabelecem, de modo que o uso de drogas como o álcool se torna uma saída para as frustrações cotidianas. Assim, o ambiente criado pela modernidade aumenta o consumo de bebidas alcoólicas pela população brasileira. Além disso, as campanhas publicitárias estão sempre alimentando a ideia de fuga da realidade e diversão com o uso do álcool.
Como já foi teorizado pelo sociólogo Bauman: nada é feito para durar. Ele é criador do conceito “modernidade líquida”, pensamento que tem como ideia central a fluidez como as formas sociais se modificam e as incertezas que essa situação gera ao homem. Em resumo, o cidadão se torna um consumidor e sempre vive com o temor do desemprego, de ficar para trás, de não se encaixar nesse mundo veloz. Associado a isso, há a publicidade e consequentemente o mercado, os responsáveis pelos modelos de vida da sociedade, criadores de padrões nos quais a população se espelha. É natural no Brasil, principalmente no verão, as empresas de cervejas gravarem comerciais em praias com pessoas felizes e cheias de amigos, por exemplo. Isso mostra como essas empresas conhecem a situação de angústia que o homem vive e tenta tirar proveito.
Em consequência disso, nota-se aumento no consumo de álcool e que seu uso se tornou uma regra social. Visto que tanto para passar por um momento triste como para celebrar uma vitória, a bebida alcoólica é fundamental e, geralmente, está relacionada a qualquer atividade de lazer. Além disso, as pessoas são constantemente obrigadas a explicar o porquê de não usá-la e não se divertirem. Analogamente a isso, o livro “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, mostra uma sociedade distópica dependente da droga “soma” usada também para que se possa fugir da realidade. Diante dessa situação, a personagem Bernard Marx, que não faz uso da droga, é sempre visto com estranheza. Dado o exposto, talvez essa história já não seja tão diferente da realidade.
Logo, a proibição da propaganda de bebidas alcoólicas bem como o dever de serem colocadas advertências sobre o seu consumo nas embalagens e determinar multas em caso de descumprimento são saídas que deputados e senadores podem buscar por meio de aprovação de lei federal. Ademais, o Ministério da Saúde deve fazer campanhas educativas contra o uso dessa droga com o dinheiro recebido das multas determinadas pela lei acima recomendada. Já que é fundamental diminuir a percepção da população de que a felicidade está simbioticamente relacionada ao consumo de álcool, imagem que as campanhas publicitárias tentam passar, e alertá-la sobre os perigos.