O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 27/09/2019
É indubitável que o número de consumidores de álcool cresce exponencialmente no Brasil. Não obstante, trata-se de um problema além da esfera de saúde pública, pois suas consequências afetam o corpo social e político. Uma vez que, o consumo e a embriaguez são culturalmente estimulados - o que gera grandes pressões sociais para seu consumo, principalmente entre os jovens - além do mais, existe uma grande dificuldade de desenvolver políticas que fiscalizem o uso de álcool no país.
Dessarte, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o álcool é a substância psicoativa mais consumida no Brasil, e o seu consumo está sendo iniciado cada vez mais cedo entre os jovens. Esse comportamento é reforçado e responsabilidade das grandes indústrias de bebidas alcoólicas, posto que, ao representarem um setor altamente lucrativo acabam por gerar uma grande influência social, econômica e política. Dessa forma, ao longo dos anos foram responsáveis pela ressignificação do uso de álcool, associando-o a obtenção de alegria e como uma forma de inclusão social, excluindo, assim, as suas consequências negativas como: dependência, problemas psíquicos, cirrose e até mesmo cânceres.
Isto posto, é nítido que o álcool representa um grande problema para saúde e que causa problemas catastróficos na sociedade, entretanto, não há no Brasil políticas efetivas que visem seu controle, por sua vez, o álcool prossegue ocasionando a morte de 3 milhões de brasileiros por ano, segundo o Ministério de Segurança Pública. Ademais, a ausência de legislações para essa problemática pode ser resultado do alto rendimento econômico que é gerado por esse consumo, o que afeta a neutralidade dos representantes políticos, que deveriam priorizar à sociedade e não os interesses corporativistas, e tal postura é concretizada, na falta de controle dos pontos de venda de bebidas alcoólicas e na desregulamentação, sendo assim, fiscalização das atividades publicitárias.
O abuso do álcool, portanto, transita como um problema social, político e de saúde pública. Destarte, inicialmente o Ministério da Saúde necessita ampliar e estruturar os Centros de Atenção Psicossocial, para que atenda o grande número de dependentes. Por conseguinte, é necessário que o Ministério de Justiça junto ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária criem uma regulamentação específica para a publicidade de bebidas alcoólicas, na qual visem que as informações sobre efeitos negativos à saúde mental e física cheguem de forma efetivas ao seus usuários, estimulando, dessa forma, o consumo consciente. Para mais, cabe ao Poder Legislativo a criação de uma lei que desenvolva em cada estado uma secretaria, na qual, será responsável por criar e controlar o banco de dados de todos os pontos de vendas de bebidas.