O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 29/10/2019

A Revolta da Cachaça, que ocorreu em 1660 no Rio de Janeiro, devido ao aumento dos impostos sobre a aguardente, revela a relação histórico-cultural do povo brasileiro com o álcool. Nesse sentido, quase 360 anos após, as bebidas alcoólicas ainda são alvo de preocupação, devido ao abuso dessa substância pela população e os graves efeitos dela no organismo e na saúde pública, visto que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 3,3 milhões de pessoas são vitimadas anualmente no Brasil.

Em primeiro lugar, deve-se considerar a existência de diferentes motivos que explicam essa situação. É possível pensar, por exemplo, na influência da literatura bucólica brasileira sobre a atualidade, visto que essa retrata a bebida como escapismo da vida real. Ademais, é notável a glamourização da substância etílica pela mídia, que veicula, de forma irresponsável, que diversão e álcool são como a relação biológica de mutualismo: indissolúveis.

Em segundo lugar, é necessário considerar as consequências do abuso da bebida. Uma delas, a curto prazo, relaciona-se a alteração da coordenação motora e do comportamento do indivíduo, pois a barreira hematoencefálica do cérebro é muito permeável ao álcool. Isso pode desencadear acidentes e, também, promover atitudes violentas. Além disso, a longo prazo, o usuário pode desenvolver graves problemas de saúde, como a cirrose que, em estado avançado, torna necessário o transplante hepático, que gera gastos para saúde pública, haja visto que em território nacional esse procedimento é realizado apenas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Portanto, diante do exposto, é imprescindível a atuação do Governo para reverter o quadro abusivo de álcool na sociedade moderna. Para tanto, é preciso que o Ministério da Saúde realize campanhas, por meio de grupos operativos em escolas e nas unidades de Estratégia de Saúde da Família (ESF) em diversas cidades, para que profissionais da saúde alertem os jovens e as famílias sobre os danos do abuso de álcool. Outrossim, o Estado deveria fiscalizar e punir propagandas alienadoras quanto ao consumo etílico, para que os indivíduos não sejam seduzidos pela ilusão de felicidade que a bebida traz. Dessa forma, os gastos com saúde pública seriam direcionados à prevenção ao invés de correção dos prejuízos do álcool e a população se tornaria mais consciente.