O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 31/10/2019

Funcionando como a primeira lei de Newton, a lei da inércia, a qual afirma que um corpo tende a permanecer em movimento até que uma força suficiente atue sobre ele mudando o seu percurso, o consumo abusivo do álcool é um obstáculo presente na sociedade brasileira há décadas. Com isso, ao invés de funcionar como a força capaz de mudar a rota desse percurso rumo à extinção, a combinação de fatores publicitários aliado ao despreparo civil contribuem com a situação atual.

A priori, segundo o sociólogo Ralf Dahrendorf, a anomia e uma condição social em que as normas reguladoras do comportamento das pessoas perderam sua validade. De maneira análoga, nota-se que as leis que regulam as propagandas de bebidas alcoólicas no Brasil encontram-se em estado de anomia, dado que esses produtos são divulgados em diversos comerciais durante o dia, principalmente em jogos de futebol. Além disso, tal propaganda televisiva sempre é protagonizada por pessoas felizes e satisfeitas ao consumirem estes produtos, causando assim uma falsa boa impressão nos telespectadores. Esse cenário é inadmissível, pois somente contribui para a “Cultura do Álcool” já enraizada no pais.

Outrossim, é válido ressaltar, conforme Sócrates, “Os erros são consequência da ignorância humana”. Sob essa ótica, o despreparo civil figura-se como impulsionador do problema, visto que grande parte da população ainda desconhece os danos causados pelo consumo excessivo do álcool. Prova disso, são os dados divulgados pela OMS, onde diz que o brasileiro consome 8,9 litros de álcool por ano, superando a média internacional, que é de 6,4 litros por ano. Esse cenário contribui para o aumento de doenças, como, por exemplo, cirrose e gastrite.

Em síntese, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas para reduzir o consumo de álcool no Brasil. Para isso, o Poder Legislativo deve atuar na regulamentação das propagandas de bebidas alcoólicas, por meio da criação de leis que limitem essa prática, com intuito de diminuir o consumo desenfreado do álcool. Ademais, as instituições educativas, em parceria com a ONG alcoólicos anónimos devem inserir a discussão sobre o tema tanto no ambiente doméstico quanto no educativo, por intermédio de palestras com psicólogos e ex-dependentes, a fim de conscientizar os indivíduos sobre o consumo moderado de bebidas alcoólicas. Feito isso, espera-se que essas medidas funcionem como a força descrita por Newton, mudando o percurso do problema rumo à extinção.