O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 20/03/2020
Segundo o filósofo francês Jean Paul Sartre, o homem está condenado a ser livre, desde que seja responsável por seus próprios atos. Paralelamente, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas na sociedade brasileira reflete a proposição filosófica mencionada, uma vez que muitos indivíduos, ao tomarem determinadas decisões, estão sujeitos às consequências. Com efeito, constata-se que o abuso de álcool no Brasil é fruto da negligência do Poder Público e de questões socioculturais, o que torna mister expor e viabilizar medidas para mitigar esse panorama.
Em primeiro plano, é imperativo pontuar que a negligência do Estado impulsiona o abuso do álcool na sociedade brasileira. Isso se dá devido à falta de medidas de conscientização na esfera escolar, ora pela quase inexistente abordagem do assunto nas escolas, ora pelas baixas atividades educativas relacionadas ao tema. Tal quadro é problemático para a saúde dos cidadãos, uma vez que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há um aumento progressivo do consumo de bebidas alcoólicas pelos adolescentes, além de drogas ilícitas. Nesse contexto, é imprescindível que haja uma atuação mais promissora do Poder Público nesse cenário, haja vista que os indivíduos têm começado a beber mais cedo do que o permitido pela legislação.
Outrossim, é lícito postular que o consumo em altas doses e a embriaguez são culturalmente idealizados e normatizados pela população. Isso pode ser explicado a partir de diversas propagandas abusivas veiculadas nas mídias, que estimulam a compra de bebidas alcoólicas, o que reflete uma maior preocupação das empresas com o lucro do que com o estado de saúde dos indivíduos. Tal fato pode ser analisado a partir do conceito denominado “modernidade líquida” -proposto pelo sociólogo Zygmunt Bauman- que afirma que o individualismo da pós-modernidade fomenta um constante declínio de atitudes éticas no meio social. Logo, é substancial que metodologias comportamentais sejam revistas, a fim de que haja mudanças de hábitos efetivas, em prol do bem-estar coletivo.
Em síntese, urge que medidas sejam concretizadas para aplacar essa conjuntura. Portanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC), por meio de verbas públicas, implementar projetos de conscientização nas escolas acerca dos malefícios do consumo de bebidas alcoólicas, a partir de debates, aulas e atividades educativas, a fim de aprimorar a criticidade cidadã e reduzir significativamente o consumo do álcool desde cedo na população. Além disso, o Governo Federal deve fiscalizar, de maneira mais rigorosa, as propagandas abusivas veiculadas nas mídias, punindo as empresas responsáveis por tais ações, visando combater o alcoolismo na sociedade. Assim, será possível romper com os paradigmas socioculturais relacionados ao etilismo.