O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 31/03/2020

A Organização Mundial de Saúde revela que 5,9% das mortes no mundo têm relação com o uso excessivo do álcool, representando um total de 3,3 milhões todos os anos. Ainda, resultados de outro estudo da mesma instituição apontaram um quadro preocupante quanto ao tema no Brasil, onde o consumo de bebida alcoólica superou a média internacional e atingiu o quantitativo de 8,9 litros por pessoa no ano de 2016. Dentro desse panorama, é notório que o abuso do álcool no país se configura como uma problemática que deve ser entendida a partir de suas principais causas. Dentre elas, podem-se considerar a ineficácia das políticas educativas de prevenção e a massiva influência midiática que incentiva o consumo da droga sem limitações pelos brasileiros.

Em primeira instância, é irrefutável reconhecer que a falta de uma educação de qualidade para os riscos da ingestão alcoólica torna a população mais propensa a cair no abuso de tal substância. Segundo o antropólogo francês Émile Durkheim, o indivíduo só poderá agir no momento em que entender o contexto em que está inserido através da educação. O abuso do álcool no país é, portanto, um reflexo da ineficácia das políticas educacionais nas escolas e comunidades. Isso faz com que a população não tenha a informação suficiente e, assim, não crie a consciência necessária para prevenir diagnósticos mais graves, como dependência química e abstinência, provenientes do abuso da bebida. Nesse caso, pode-se culpabilizar o Governo por negligenciar o tema e a saúde pública, visto que ele não parece se preocupar com ações voltadas à profilaxia do alcoolismo dentro do âmbito nacional.

Ademais, propagandas veiculadas, sobretudo, pela imprensa televisa estimulam a ingestão por todos os públicos e sem limitações, uma vez que elas apresentam o produto dentro de um contexto favorável e não exibe, explicitamente, os cuidados pertinentes a serem adotados ao consumi-lo. Ilustrativamente, a propaganda da cerveja Skol cujo lema é a cerveja que desce redondo, é anunciada, muitas vezes, em ambientes associados pela maioria das pessoas como “positivos”, com a exibição de bares e praias, visando atrair a atenção dos consumidores e convencê-los a adquirir o produto. De modo indubitável, a frase pronunciada rapidamente ao final do anúncio “Beba com moderação!” é insuficiente para conscientizar os telespectadores quanto ao alcoolismo resultante do uso abusivo da droga.

Por fim, urge que os Ministérios da Educação e Saúde combatam o alcoolismo por meio da criação de debates e palestras acerca da importância de sua prevenção nas escolas e em espaços públicos, a fim de alertar a população quanto ao seu uso racional. É relevante, ainda, que o Congresso Nacional crie legislações específicas que sistematizem os conteúdos apresentados em propagandas e incentivem a veiculação de orientações ao público consumidor, visando assim reduzir tal imbróglio no país.