O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 12/04/2020
Na série americana “The Simpsons”, Homer é um típico chefe de família que faz o uso excessivo da cerveja Duff, seja para enfrentar situações difíceis, seja para comemorações e, por conseguinte, há empecilhos no convívio familiar. Fora da ficção, o Brasil culmina para um cenário análogo, uma vez que o abuso de álcool na sociedade brasileira não só atua como válvula de escape diante das pressões sociais, mas também é proveniente da glamorização dessa substância. Convém, portanto, analisar de forma crítica essa problemática.
Em primeiro aspecto, o Ultrarromantismo foi um movimento literário que caracterizou-se pelo exagerado consumo de bebidas alcoólicas por poetas, destacando-se Álvares de Azevedo, o qual almejava sanar seu amor não correspondido nos bares. Nesse contexto, na hodiernidade, devido às cobranças familiares, como também aos impasses financeiros os indivíduos empregam o álcool como refúgio, isto é, usam-o como forma de negligenciar a realidade, assim como ocorreu no Ultrarromantismo. Entretanto, é preciso compreender que essa atitude traz prejuízos no âmbito da saúde física e mental, em que 40% daqueles que associam o álcool como solução para as divergências têm 70% de chance de desenvolver depressão, segundo a revista Veja.
Paralelo a isso, embora seja dever da Constituição Cidadã de 1988 garantir uma educação de qualidade a todos perante à lei, na prática, tal isonomia não é concretizada. Sob essa ótica, é perceptível que a discussão a respeito da ingestão abusiva do álcool ainda é um tabu, em razão de uma educação defasada e seletiva, além de haver uma supervalorização dessa substância nas propagandas. Essas, estimulam o consumo de bebidas alcoólicas como forma de o indivíduo enquadrar-se no padrão coletivo imposto, tal qual é afirmado pelo conceito da psicologia social, chamado de “Viés de Grupo”, em que para ser aceito na sociedade, o sujeito deve adotar as mesmas características do integrantes , que, no caso, é o uso do álcool.
Enfim, com o intuito de que personagens como “Homer” deixem de representar a realidade, medidas são necessárias. A priori, urge que o Ministério Público, em sincronia com a mídia - a qual é o principal veículo formador de opinião - decrete um feriado nacional em que mutirões recebam alcoólatras e indivíduos que estão vulneráveis às bebidas, orientando - os quanto aos riscos do álcool. A posteriori, isso só será possível por meio da criação de um canal telefônico que receba esses manifestos, a fim de que se extermine a ignorância que perfaz a sociedade no quesito da ingestão exacerbada do álcool.