O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 10/04/2020
No livro “A morte e a morte de Quincas Berro D’agua” escrito por Jorge Amado, o personagem principal, Joaquim Soares Da Cunha, é um alcoólatra que acaba morrendo depois de uma vida de boemia. O Autor expõe, por meio desse personagem, a relação nociva que o abuso do álcool pode trazer para as pessoas. Fora da ficção o consumo excessivo de bebida alcoólica vem se mostrando um problema de saúde pública onde os dependentes, principalmente jovens, não se dão conta de que estão viciados em uma droga. Sendo um problema que está relacionado à realidade do Brasil atual, seja pela negligência governamental, seja pela responsabilidade social.
A priori, é incontestável que a inoperância estatal esteja entre as causas do problema. Poucas são as políticas públicas que de combate ao consumo de álcool de forma excessiva. Mesmo existindo leis que proíbam a venda de bebida para menores de dezoito anos, quase não existe fiscalização, e a lei acaba não se cumprindo por completo. Nesse prisma, de acordo com o filósofo Johm Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de evitar o abuso desta droga entre os seus cidadãos. De certo isso se reflete na pesquisa divulgada pela OMS em 2019 que diz que 58% dos jovens entre 13 e 17 já experimentaram álcool pelo menos uma vez.
Outrossim, destaca-se a falta de responsabilidade social, que muitas vezes,devido ao senso comum , incentiva o consumo desenfreado de álcool como um símbolo de status social. No cinema, na televisão e até mesmo na música encontramos exemplos em que a bebedeira é a alternativa depois de um problema pessoal como o término de um relacionamento. Isso, está de acordo com o pensamento de Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Tal fato pode ser exemplificado na letra da música da cantor brasileiro Gusttavo Lima “Não paro de beber” onde o cantor diz que prefere morrer ao parar de consumir a droga. Diante desse cenário, é mister que o Estado amplie as políticas públicas de prevenção ao uso excessivo de bebidas alcoólicas, por intermédio da intensificação da fiscalização desse consumo por menores de idade e pelo aumento da taxação de impostos para o álcool, a fim de tornar mais difícil o exagero e melhorar a saúde dos cidadãos. Além disso, as instituições educacionais devem orientar a população sobre os riscos da glamourização da utilização de drogas, por meio de campanhas de conscientização vinculadas nos principais meios de comunicação, como TV e internet, para que, a boemia que levou Quincas à morte não se se torne comum entre os cidadãos do Brasil.