O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 25/05/2020

O álcool tem sido usado para consumo humano há milhares de anos. No entanto, a revolução industrial, ocorrida na Europa no século XVIII, aumentou de forma exponencial a produção e o consumo dessa substância, de modo que, nesse período, seu uso esteve fortemente relacionado ao processo de abrandamento dos sentimentos de ansiedade e angústia frente às dificuldades de uma época revolucionária. Porém, hodiernamente, apesar da relativa estabilidade social, muitas pessoas sofrem as consequências negativas desse vício. Dessa forma, é de extrema importância analisá-las, além dos fatores que as propiciam.

Primeiramente, cabe relatar que o índice de alcoolismo tem uma relação inversamente proporcional com o Índice de Desenvolvimento Humano(IDH) de um país, à medida que um aumenta, o outro diminui. No brasil, a desigualdade estrutural, expressa nas precárias condições de trabalho e em um sistema de educação que não tange toda a população, é o principal fator para o agravamento desse marcador, pois nessas condições a população mais pobre e desinformada utiliza a bebida alcoólica como ferramenta entorpecente para dores corpóreas e pressão psicológica. Ademais, a violência simbólica, relacionada ao comportamento social diante dos dependentes químicos, distorce a gravidade do problema. Sobre esse fato, pode ser citado o uso, nas redes sociais, da imagem do ator Fábio Assunção, ex dependente químico, como referência para conduta em eventos sociais.

Ademais, é necessário citar que os danos do uso desregrado de bebidas alcoólicas são devastadores. Nesse quesito, vale citar que esses podem ser pessoais, quando o indivíduo enfrenta quadros de dependência; ou coletivo, associado aos acidentes de transito. sob tal ótica, percebe-se que há contradição entre o Governo brasileiro,  que implementou de forma eficaz a lei seca no país, na qual fica proibido o consumo elevado de álcool antes de dirigir; e a mídia nacional, que enaltece incessantemente o seu consumo em qualquer lugar e pouco relata sobre suas consequências.

Em suma, o alcoolismo deve ser abordado como um problema de saúde publica. Logo, é de obrigação do Governo tomar iniciativas para mitigar seu índice e suas consequências. Assim, em primeiro lugar, urge a necessidade de implementar, por meio do Ministério da Saúde, mais casas de apoio aos dependentes químicos, com o objetivo de resgatar as pessoas acometidas pelo vício a uma vida saudável. Ademais, cabe à mídia assumir uma posição mais empática com relação a esse grupo e seus familiares, criando, nessa nova ótica, comerciais que conscientize e ao mesmo tempo oriente a população ao combate da condição de dependência pelo álcool. Com isso, espera-se que a população brasileira faça uso dessa substância somente de forma recreativa e moderada.