O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 03/06/2020
“O importante não é viver, mas viver bem". Segundo o filósofo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a da própria existência. Entretanto, essa não é a realidade de indivíduos que sofrem com os transtornos do abuso de álcool. Esse cenário é fruto tanto da publicidade quanto do consumo irregular associado ao trânsito. Diante disso, cabe analisar os fatores que contribuem para esse quadro.
Precipuamente, é essencial pontuar que a publicidade exerce um grande papel de influenciador no uso do álcool no Brasil. A mídia televisiva exibe propagandas de bebidas alcoólicas e cenas de novelas e filmes envolvendo excesso de álcool, muitas vezes relacionando esse abuso á diversão. Tal fato é muito bem retratado no filme “Se beber, não case!”, no qual um grupo de amigos vivenciam uma noite de aventura e divertimento abusando do uso de drogas lícitas e ilícitas, principalmente o álcool. Com isso, fica evidente que a publicidade influencia exponencialmente o uso de bebidas alcoólicas na sociedade brasileira.
Ademais, é imperativo ressaltar que o uso irregular do álcool associado ao trânsito é promotor do problema. Partindo desse pressuposto, medidas já foram tomadas para atenuar o impasse, mas não obtiveram êxito contínuo. Uma delas foi a criação da Lei Seca, em 2008, com o objetivo de proibir o consumo de álcool por condutores de veículos pela a suspensão da habilitação e até mesmo o detimento do indivíduo que apresentar indícios de álcool no bafômetro. Mas, dez anos após a criação da lei, o Ministério da Saúde revela que o consumo de álcool associado à direção voltou a crescer. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 28% das mortes decorrentes de acidentes de trânsito no mundo foram atribuídas ao consumo de álcool. Desse modo fica claro que o “combo” -álcool e trânsito- corrobora com o problema.
Portanto, é imprescindível uma tomada de medidas para que o problema sesse. Dessarte, com o intuito de mitigar a ampla publicidade do produto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deve proibir conteúdos relacionados ao uso nocivo de álcool exibidos pela mídia. Ademais, também poderia investir em campanhas publicitárias -em rádios, televisão e internet- que visem conscientizar os indivíduos sobre os reais riscos do consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Além disso, o Poder Executivo Federal poderia garantir a real efetivação da Lei Seca por intermédio da fiscalização correta. Essa iniciativa teria como finalidade mitigar acidentes de trânsito relacionados ao excesso de álcool. Só assim, a realidade dos indivíduos que sofrem com as consequências do abuso de álcool na sociedade brasileira se aproximará da descrita por Platão.