O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 04/06/2020

Dentre os inúmeros direitos garantidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos  promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, destaca-se a segurança como imprescindível ao bem estar da população. No entanto, o Brasil mostra-se muitas das vezes como incapaz de alcançar tal objetivo, uma vez que a problemática do abuso de álcool na sociedade perpetua esse retrocesso às pautas relacionadas a segurança da população. Nesse sentido, torna-se necessário analisar tanto a falta de um sistema de ensino que conscientize os jovens em relação ao uso álcool, bem como a omissão governamental frente a essa problemática, pelo fato de serem estes, agentes fundamentais a continuação dessa mazela.

Em primeira análise, destaca-se a baixa atuação de setores governamentais no que se refere ao abuso de álcool na sociedade brasileira. Em um relatório do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) de 2019 indica que 18% das agressões interpessoais no Brasil são causadas pelo consumo de álcool – quase uma em cada cinco brigas é motivada pela bebida. Nesse contexto, a perpetuação de um sistema omisso frente a essa problemática, que não de os alicerces necessários a proteção das pessoas, e não provenha uma boa reabilitação aos dependentes alcoólicos, fará com que o problema seja perpetuado, e as pautas relacionadas a segurança da população intangíveis.

Faz-se mister, ainda, salientar a falta de um sistema educacional que insira, em sua grade curricular, aulas voltadas às drogas. Segundo o educador Brasileiro Paulo Freire, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”. Sob esse viés, um ensino que privilegie em demasia conteúdos sem relação direta a vida de jovens e adolescentes como é o brasileiro, faz com que estes se formem adultos desprovidos da conscientização necessária para entender o quão maléfico pode ser utilizar esses entorpecentes, tornando-os mais propensos a abusos alcoólicos.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser exercidas a fim de que esse problema seja solucionado. Para tanto, cabe ao Poder Legislativo elaborar leis mais incisivas no que tange ao abuso de bebidas alcoólicas, mediante uma maior vigilância da polícia em locais mais propensos ao consumo de bebidas e acidentes, como também um maior investimento orçamentário a grupos que auxiliam na reabilitação de dependentes, como o Alcoólicos Anônimos. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação criar, por meio  de aulas elucidativas e materiais didáticos, a conscientização necessária para que seus alunos não tornem-se alheios a problemática do álcool e de outras drogas, oferecendo também um acompanhamento psicológico para os jovens que se encontrem em ambientes propensos ao uso de drogas tenham um respaldo profissional que dificulte sua entrada em uma vida de vícios.