O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 24/10/2020
Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da alusão, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere ao abuso de álcool. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de conhecimento e de questões socioculturais.
Em primeira análise, a falta de conhecimento mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica uma causa do problema: se as pessoas não têm acesso a informação séria sobre o assunto, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação do problema.
Outro ponto relevante, nessa temática, e a questão sociocultural. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do abuso de álcool é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social onde o abuso de álcool não é um problema, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, é preciso que as prefeituras, em parceria com o governo do estado, proporcionem a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas nas escolas. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações, dinâmicas e jogos, de modo a proporcionar a visualização do assunto, além de palestras com especialistas que orientem os jovens e suas famílias, com embasamento cientifico, a fim de efetivar a elucidação da população sobre o tema.