O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 16/06/2020
Os autores românticos, no século 19, foram responsáveis pela glamorização do uso abusivo do álcool, especialmente do absinto, na literatura. Passados mais de 200 anos dessa corrente artístico-literária, ainda se observa uma grande banalização da ingestão descontrolada dessa substância no Brasil. À vista disso, são notórias as diversas consequências negativas provenientes desse consumo exacerbado, sendo necessárias medidas urgentes que modifiquem esse quadro.
Nesse aspecto, o filósofo contemporâneo Byung Chul Han aborda em sua obra Sociedade do Cansaço a forma como os indivíduos são pressionados a entregar um alto desempenho físico, familiar, escolar e social constantemente, tendendo a sucumbir. Assim, é comum que o álcool seja utilizado como uma verdadeira válvula de escape às pressões de desempenho que sofrem. Além disso, a glamorização e o incentivo a ingestão de álcool ainda se faz muito presente em músicas e programas de televisão, por exemplo, afetando sobretudo os jovens, que muitas vezes iniciam o consumo já na adolescência.
Dessa forma, estudos mostram uma relação direta entre consumo dessa substância e a violência urbana, que pode ocorrer no trânsito, em bares e contra familiares, por exemplo. Nesse sentido, o Atlas da Violência de 2019 indica que cerca de 18% das agressões interpessoais no Brasil são causadas pela ingestão de bebidas alcoólicas. Ademais, diversas pessoas que consomem essa droga lícita a longo prazo podem desenvolver doenças físicas – como cirrose, câncer de garganta e pancreatite – e mentais, a exemplo da depressão e da dependência química.
Portanto, como forma de diminuir e combater a normalização do consumo de álcool e amenizar os índices de violência e certos problemas de saúde, é necessário que o Ministério da Saúde, em conjunto com o Conselho Federal de Medicina, apresente campanhas de conscientização que abordem todos os aspectos negativos relacionados à ingestão de bebidas alcoólicas e também apresentem depoimentos de vítimas de violência, acidentes e problemas de saúde. Essas campanhas devem ser disponibilizadas em todas as mídias sociais, em âmbito nacional e em horários nobres, para que atinjam o máximo de pessoas possível.