O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 22/06/2020
Os autores românticos, do século XIX, foram responsáveis pela glamurização do uso abusivo de álcool, especialmente do absinto, na literatura. Passados mais de 200 anos dessa corrente artístico- literária ainda observa-se uma banalização da ingestão descontrolada dessa substância no Brasil. Nesse sentido, essa falta de moderação pode ocasionar riscos individuais e coletivos.
Em primeiro plano, a maioria das pessoas consomem bebidas alcoólicas exacerbadamente como uma tentativa de válvula de escape, mostrado no Romantismo, em que para fugir dos problemas utilizava-se bebidas com teor alcoólico. Em consequência, essa forma de evasão da realidade potencializa o surgimento de transtornos psicológicos, já que o consumidor vê a necessidade de beber para se sentir confortável e, na maioria dos casos, se torna um dependente. No entanto, a longo prazo, esse hábito etilista de alcançar a satisfação pode gerar diversas enfermidades, como diabetes, hipertensão e câncer.
Outrossim, em consonância com essa forma de fuga há a glamurização das drogas lícitas, em que mediante a publicidade faz com que se torne atraente. A esse respeito, os pensadores da Escola de Frankfourt com seu conceito de indústria cultural - produção de bens culturais padronizados que manipulam a sociedade - mostram como a valorização pode estimular o consumo em massa. Ademais, o mal uso dessa substância pode gerar acidentes ou violência no trânsito e agressão doméstica que inserem os vulneráveis nesse cenário, posto que o indivíduo não está sóbrio e isso interfere nas suas atitudes.
São necessárias, portanto, medidas para diminuir o uso descontrolado do álcool e desconstruir essa cultura de exaltação. Para tanto, o Ministério da Saúde deve investir em campanhas publicitárias, especificamente que possuam depoimentos de pessoas que adquiriram doenças e que foram vítimas de violência e acidentes provocadas por alcoólicos. Isso deve ser feito por meio de parcerias com empresas privadas, além de propagação midiática para uma maior disseminação dos prejuízos que essa droga pode gerar.