O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 23/06/2020

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou no site oficial do órgão as consequências do consumo abusivo de bebidas alcoólicas. Sob esse prisma, foram descobertos inúmeros efeitos colaterais decorrentes do abuso, que, muitas vezes estimulado pelas propagandas, gera dependência química e diminuição cognitiva dos usuários. Diante de tais fatos, evidencia-se a necessidade de controle no uso desse químico.

Em primeiro plano, é válido ressaltar o papel de influência da propaganda no estímulo ao consumo de álcool. Embora o Brasil tenha, desde 1996, a lei que veta propagandas de bebidas com alto teor alcoólico, aquelas permitidas, como as cervejas, têm parte importante no incentivo ao uso da bebida. Isso porque, cada vez que uma pessoa ingere uma dose alcoólica, o corpo cria resistência ao químico e, com o passar do tempo, o indivíduo tende a desenvolver dependência que gera ainda mais adversidades à saúde expondo-se ao perigo do vício na substância. Dessa forma, o estímulo à compra de bebidas, bem como a atitude do cidadão de comprá-la, tem relação direta com a saúde do indivíduo.       Outrossim, cada dose de álcool ingerida gera efeito, ainda que mínimo, na capacidade cognitiva. Entretanto, pessoas já dependentes demoram mais para sentir essa depressão intelectual e constatam-se capazes de realizar tarefas sob efeito do álcool. A título de ilustração, a “Operação Lei Seca”, do governo federal, em 12 anos de atuação, impediu cerca de 41 mil mortes que seriam provocadas por motoristas embriagados os quais afirmavam-se capazes de dirigir sob efeito de álcool. Nesse sentido, nota-se não só o risco do abuso de álcool para a sociedade brasileira, como também a irresponsabilidade dos brasileiros em lidar com os efeitos do uso.

Portanto, fica evidente que o controle do consumo da bebida deve ser incentivado e receber comprometimento da população. Para isso, o Ministério da Comunicação deve implementar medidas mais restritivas às propagandas de bebidas por meio de análise do conteúdo da publicidade a fim de garantir que menor adesão de compradores e, ainda, associado ao Ministério da Saúde, precisa esclarecer a influência do álcool no corpo, através de comerciais em rádio, televisão e redes sociais com o propósito de orientar a população a tomar medidas para diminuir o consumo excessivo de álcool, principalmente quando vinculado a outras atividades. Assim, a sociedade estará mais consciente de seus atos e esperar-se-á mudanças de atitudes.