O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 28/07/2020

Epicuro, filósofo grego, acreditava que a felicidade reside no prazer. Contudo, o prazer ao qual ele se refere é o prazer do sábio, da justa medida e não dos excessos. Porém, o abuso de álcool na sociedade brasileira não segue a sua doutrina, já que segundo o Ministério da Saúde, 17,9% da população adulta no Brasil fazem uso abusivo de bebida alcoólica. De certo, entre os principais pontos que explicam esse fato, pode se destacar a cultura brasileira que cria uma relação de dependência entre álcool e prazer e a indústria cultural que influencia o consumo desse produto, e por conseguinte, gera problemas de saúde aos que praticam o abuso.

Como dito, a doutrina de Epicuro não se aplica ao contexto do consumo de álcool na sociedade brasileira, pois no Brasil é comum relacionar o abuso dessa substância com momentos de prazer, como se essas duas coisas fossem inseparáveis. Como evidência, têm-se o champanhe na virada do ano, as cervejas na praia, na reunião com os amigos, depois do futebol e entre outros. Desta forma, fica claro que o consumo recorrente dessa bebida está relacionados com momentos de lazer e prazer, e essa relação pode ser perigosa, pois fica implícito que um depende do outro, e assim, o consumo de álcool pode passar a ser abusivo, acarretando problemas de saúde, como cirrose até mesmo câncer.

Outra fator que pode explicar o abuso de álcool na sociedade brasileira é a influência da indústria cultural. Esse último termo foi criado pelos filósofos e sociólogos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer e se refere a uma obra cultural que tem como objetivo manipular o espectador a consumir algum produto. Como exemplo, é possível observar a música composta pelo cantor sertanejo Eduardo Costa, chamada “Cachaceiro”, em que ele romantiza o abuso de cachaça e diz que bebe todo dia. E não é por coincidência que esse mesmo cantor possui uma marca desse tipo de consumível alcoólico, o que torna a sua obra cultural uma propaganda que romantiza e influencia o consumo imprudente de álcool para vender o seu próprio produto.

Em suma, a ideia de Epicuro, que diz que a felicidade reside na busca pelo prazer moderado e sem excessos, não cabe na conjuntura brasileira quando se trata do consumo de álcool, já que existe o abuso dessa substância por parte dos brasileiros, influenciados pela cultura que relaciona álcool com o prazer e também pela indústria cultural. Para resolver esses problemas, o governo deveria promover propagandas na televisão que mostram que não é necessário consumir bebidas alcoólicas em momentos de lazer, a fim de desvincular o prazer com o álcool. Outra alternativa seria a Anvisa tornar obrigatório a colocação de selos que avisam os malefícios do consumo excessivo de álcool, a fim de não deixar o consumidor ser enganado pela indústria cultural, que romantiza o consumo abusivo.