O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 29/07/2020

Segundo levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS), no Brasil, mais de 4 milhões de pessoas são alcoólatras. Quase 3% da população acima de 15 anos.  Desse modo, os dados refletem a marcante presença da substância na vida dos brasileiros e a urgência em combatê-la. A ocorrência do consumo excessivo dessas bebidas resulta em adversidades tanto individuais quanto coletivas. Tendo   a integração precoce do álcool no cotidiano e a necessidade  de fuga da realidade, motivações para a perda de limites.

Em primeira análise, observa-se, no seriado norte-americano, Os Treze Porquês, a rotina de jovens que enfrentam a adolescência e problemas com o álcool simultaneamente. Por analogia, no Brasil, o primeiro contato com a bebida ocorre, em média, a partir dos 13 anos, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). Entretanto, o ato que parte da intenção recreativa torna-se a principal forma de socialização e posteriormente, um vicio. Nesse sentido, é importante destacar que doenças do fígado e prejuízos psíquicos são algumas das consequências que o uso demasiado da droga causa no organismo humano. Em contraste com o coletivo, provém crimes violentos e acidentes de trânsito. Por esse viés, constata-se que essa prática é perigosa para o usuário e para a sociedade.

Além disso, problemas psicológicos também estimulam o abuso do entorpecente. Uma vez que não há o devido acompanhamento médico, busca-se os próprios meios de lidar com as angústias. Desenvolvendo assim, um conflito ainda maior. Exemplo disso é visto na produção cinematográfica de Stephen King, Doutor Sono, em que um professor de literatura carrega fortes traumas de infância e sucumbe ao vício para amenizar as lembranças. Como consequência disso, perde seu emprego  e novamente busca alívio em bebidas alcoólicas. Ou seja, a vulnerabilidade mental facilita a perda de controle. Assim sendo, ocorre  o processo em que uma ação desencadeia diversas outras consequentes daquela, cenário similar à vida real e por ser uma droga legalizada, remete à falsa impressão de que não é tão nociva quanto outros alucinógenos proibidos.

Em suma, o abuso do álcool ocorre principalmente pela fragilidade emocional de quem o ingere. Todavia, a prematura introdução ao hábito de beber também corrobora para o consumo desenfreado. Para que esse fato torne-se menos comum é necessário que o Ministério da Saúde garanta suporte psicológico gratuito, ampliando as vagas para o atendimento no SUS e o Ministério da Educação reforce aos jovens brasileiros as implicações que o alcoolismo traz, incluindo dois eventos que tratem da temática, no calendário obrigatório de todas as escolas brasileiras.