O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 29/07/2020
Segundo Maquiavel, “não há nada mais difícil ou perigoso do que tomar a frente na introdução de uma mudança”. De fato, constata-se a inércia da sociedade em relação ao abuso de álcool no Brasil. Com efeito, é preciso analisar os entraves que englobam essa problemática, a qual persiste influenciada pela carência de discussões produtivas sobre suas causas e também pela ausência do Estado.
Em primeiro plano, a escassez de debates férteis evidencia-se como responsável pelo problema. Nesse sentido, o filósofo Jürgen Habermas ensina que, por meio dos regimes democráticos da Modernidade, podem-se criar diálogos e participações - sob a lógica da autoanálise - capazes de estabelecer a harmonia entre interesses individuais e coletivos. Entretanto, no Brasil, ocorre o silenciamento diante do consumo excessivo de álcool e seus danos à saúde, em nome de interesses capitalistas da famigerada indústria de bebidas alcoólicas. Dessarte, por dedução analítica, um amplo debate social se impõe para atuar nas raízes da questão.
Em segunda análise, é fundamental observar a omissão estatal como fator dificultador. De acordo com Thomas Hobbes, o Estado é responsável por organizar a sociedade e garantir o bem-estar comum. Contudo, devido à falta de atuação dos escalões de governança, a ingestão exagerada de álcool impede o pleno exercício da cidadania por significativa parcela da população, como por exemplo os indivíduos que abandonam suas famílias em virtude da dependência. Dessa maneira, a estabilidade social é mitigada e garantias básicas - como a saúde - são cerceadas.
Assim, o Governo Federal - em conjunto com a iniciativa privada - deve incentivar a leitura de livros que abordem o consumo excessivo de álcool e seus malefícios, por meio de exposições e mostras culturais abertas ao público e que divulguem as obras, para que seja exposta a relevância do debate acerca do problema. Ademais, os professores podem realizar o processo mediador entre as questões que envolvem a temática e a sociedade, sob o ideal de Paulo Leminski: “Em mim, eu vejo o outro”.