O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 03/08/2020
De acordo com o filósofo empirista John Locke, o ser humano nasce como uma tábua rasa ou como uma folha de papel em branco que, por meio da experiência sensível, ou seja, o que adquirimos com a vida no exterior, vai preenchendo-se. Tal conjuntura filosófica explicita a ideia de que os homens sofrem influência do meio em que vivem. Diante dessa perspectiva, o abuso de álcool na sociedade liga-se às questões e pressões sociais existentes nela. Além da imposição da sociedade, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas provoca danos clínicos na saúde dos indivíduos, o que torna necessário medidas com o objetivo de contornar a situação atual.
Em primeiro plano, o sexo masculino ou feminino é biológico, porém o gênero é uma construção social. Tal questão projeta um comportamento específico sobre o homem, por exemplo, que tende a ser mais fechado emocionalmente para encaixar-se nos padrões e provar sua masculinidade. Por conseguinte, segundo o documentário “The Mask You Live In”, à medida em que a linguagem emocional desaparece na narrativa dos meninos, a ingestão excessiva de álcool tende a aumentar, pois, dessa maneira, abre uma brecha para burlar a masculinidade tóxica e demonstrar mais afeição para depois culpar a alteração de comportamento causada pelo álcool.
Em segundo plano, apesar de quebrar por alguns momentos a grave cultura da masculinidade, a ingestão de álcool que ultrapassa os parâmetros médicos legais não deve ser uma alternativa para afastar-se dos estereótipos, porque é prejudicial à saúde do indivíduo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que tal abuso dessas bebidas pode ocasionar perda de memória, doença do fígado, fraqueza no músculo cardíaco, entre outras consequências. Além do mais, a mudança de comportamento do ser é um perigo para os indivíduos ao seu redor, já que pode gerar agressividade e violência.
Em suma, para amenizar o risco à contração das doenças que podem ser desenvolvidas pelo consumo em excesso de bebidas alcoólicas e à possível violência incentivada pelo mesmo fator, é preciso de políticas públicas eficazes. Assim, urge que os deputados e senadores em âmbito federal criem um projeto de lei para aumentar os impostos sobre os produtos com maior teor alcoólico, de modo que diminua o consumo entre a população, principalmente com pouco poder aquisitivo. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde promover campanhas publicitárias, por meio de verbas governamentais, a fim de alertar a população sobre as consequências do abuso do álcool. Logo, espera-se que, a partir dessas ações, o presente problema seja contornado.