O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 20/08/2020

A ficção de Jorge Amado, “A morte e a morte de Quincas Berro d’Água”, é marcada pelo alcoolismo do personagem homônimo, denunciando uma realidade comum no Brasil. Nessa perspectiva, cabe destacar que, além de não ser considerado um vício maligno por boa parte da população, o consumo abusivo do álcool entre os brasileiros é incentivado pela mídia, que o romantiza.

Primeiramente, é notório que as bebidas alcoólicas se inserem em qualquer contexto social, seja uma festa ou um aniversário de criança. Porém, o que a maioria da camada social desconhece, é que, cientificamente, o álcool é considerado uma droga psicotrópica lícita, tão ou mais poderosa em causar vício como qualquer outra droga, ilegal ou não. Logo, a banalização do consumo desse líquido corrobora para o aumento de sua dependência entre a sociedade, que, sem saber que está ingerindo algo perigoso, incentiva seu uso desde a adolescência. Logo, a falta de informação aos brasileiros só aumenta a presença da cerveja no churrasco de domingo.

Segundamente, a influência da mídia no consumo do álcool é exacerbada. Essa conjuntura se exemplifica na série “Os Simpsons” (classificação indicativa livre), que romantiza o alcoolismo de seu personagem principal, “Homer”, cuja função é causar humor justamente por seu consumo excessivo. Esse programa foi tão impactante na sociedade que incentivou a criação e a comercialização da marca de cerveja “Duff”, que, na animação, é a preferida de “Homer”. Ademais, cabe destacar a publicidade televisiva de bebidas brasileiras, que, ao contrário de alertar sobre os males do consumo abusivo, demonstram pessoas felizes e saudáveis, ingerindo o produto. Logo, a transmissão desse tipo de conteúdo para todas as camadas etárias, corrobora para o aumento do consumo de álcool.

Portanto, faz-se necessária uma intervenção nesse problema. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), diminuir o número de propagandas de bebidas alcoólicas e criar novas campanhas que apresentem os efeitos negativos do consumo, com a finalidade de desromantizar tal substância e de conscientizar a população dos riscos causados pelo seu consumo abusivo. Ademais, cabe à Secretaria Regional de Justiça revisar as classificações indicativas de programas que incentivem a ingestão do álcool, para que ele não se faça presente nas idades iniciais da vida. A posteriori, realidades como a de Quincas serão superadas.