O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 06/09/2020
A virtude aristotélica
Segundo o filósofo clássico Aristóteles, a ética é alcançada a partir da virtude, ou seja, do meio-termo entre dois extremos. Dessa maneira, um indivíduo ético é aquele que foge dos vícios e encontra a mediana de suas ações. Analogamente, o que observa-se no Brasil hodierno é, muitas vezes, o oposto do dito pelo pensador: cidadãos extrapolando o consumo de bebidas alcoólicas. Dito isto, nota-se que tal realidade é consequência de dois grandes fatores: o subterfúgio do cansaço mental e a produção cultural desse hábito.
Em primeira instância, é fulcral relacionar o desgaste psicológico com o abuso de álcool no âmbito nacional. Nesse panorama, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han afirma que a pós modernidade é marcada por uma sociedade do cansaço, a qual os indivíduos encontram-se emocionalmente exaustos. Por conseguinte, estes optam, em muitos casos, pelo consumo exacerbado de drogas - incluindo o álcool - como forma de evasão da realidade em que estão inseridos e de superação desse desgaste psíquico. Logo, é evidente que o cansaço mental da contemporaneidade muito interfere no consumo abusivo de bebidas entorpecentes, fundamentando a ausência da virtude aristotélica por esses cidadãos.
Ademais, a esfera cultural é outro fator que intensifica o abuso de álcool no Brasil. Nesse viés, os filósofos Adorno e Horkheimer, da escola de Frankfurt, prepuseram que a Indústria cultural é um importante mecanismo alienativo que fabrica bens culturais a fim de manipular a passiva sociedade. De fato, tais pensadores estavam certos, uma vez que é notório a massificação de propagandas e publicidades em ferramentas midiáticas que manipulam o indivíduo, naturalizando determinados hábitos como, por exemplo, o consumo de álcool. Depreende-se, então, que a ingestão demasiada de bebidas entorpecentes constituem como consequência da perversa Indústria cultural, afastando gradativamente os indivíduos da virtude e da ética conceituada por Aristóteles.
Portanto, é inquestionável que o cansaço social somado com a massiva publicidade explicam o abuso de álcool no Brasil. Urge, então, que o Poder Legislativo, com vistas em extinguir as publicidades que incentivam o uso de álcool, proíba definitivamente tais propagandas em canais televisivos, por meio da ratificação de uma lei a qual tornará crime o uso de ferramentas publicitárias para a promoção de bebidas alcoólicas. Como efeito, espera-se que o abuso de álcool seja atenuado no território brasileiro e consequentemente haja a formação de indivíduos mais éticos, efetivando a virtude aristotélica na nação brasileira.