O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 26/09/2020

Cirrose, hipertensão, falência hepática. Essas são algumas das complicações na saúde relacionadas ao excesso de álcool no organismo humano e, segundo dados de 2019 do Ministério da Saúde, 17,9% da população adulta do Brasil faz uso abusivo dessa substância. Isso demonstra a importância de analisar os fatores que estimulam o seu consumo. Sob tal ótica, a ingestão exagerada de bebidas alcoólicas na sociedade brasileira é um grave problema para a qualidade de vida e tem a sua origem na cultura de hedonismo e na forte influência da publicidade.

Inicialmente, o ato de beber está diretamente vinculado à obtenção prejudicial de prazer. Em consonância com Bauman, vive-se a “Modernidade Líquida”, caracterizada pelo imediatismo e pela busca incessante de prazer instantâneo devido à constante mudança e instabilidade do mundo contemporâneo. Diante disso, a visão do álcool como a solução para enfrentar dificuldades bem como o hábito de ingeri-lo em qualquer comemoração colabora para o estabelecimento de uma situação de risco, visto que há um negligenciamento de suas consequências, como câncer, acidentes de trânsito e coma, em prol da alegria momentânea. Nesse sentido, a cultura de priorização do presente em detrimento do futuro aumenta a busca exacerbada por esse entorpecente.

Outrossim, o estímulo da mídia ao uso desse psicoativo contribui para o aumento de casos graves. Por exemplo, a música “Beber, beber”, de Leonardo, apresenta o seguinte trecho:“segunda-feira eu vou pro bar, terça-feira eu vou também, beber, beber, beber, beber.” Paralelamente, segundo a Escola de Frankfurt, com a consolidação do capitalismo, surge a “Indústria Cultural”, marcada pela intensa propaganda de incentivo ao consumo em massa, inclusive em produções artísticas. Por conseguinte, anúncios de pessoas felizes com uma cerveja na mão ou canções com ênfase na bebida como fonte de felicidade e consolo não mostram o lado negativo vinculado ao abuso dessa substância.  Dessa forma, essa publicidade prejudica na conscientização sobre seus malefícios e auxilia na ingestão abusiva.

É mister, portanto, tomar medidas que diminuam o percentual de brasileiros com problemas em lidar com o álcool. Logo, cabe ao Ministério da Saúde orientar a população sobre os perigos relacionados ao consumo excessivo de álcool, por meio da elaboração de propagandas com médicos e psicólogos, os quais mostrarão as patologias físicas e mentais que ele pode causar. Ademais, será feita uma união com o Poder Legislativo federal para criar leis que proíbam a veiculação de propagandas de qualquer entorpecente bem como o apoio financeiro do governo a obras de arte que enalteçam o seu consumo. Espera-se, assim, diminuir os estímulos ao embebedamento e conscientizar sobre os seus riscos.